Plínio Teodoro

26 de novembro de 2019, 17h51

O fascismo neoliberal quer instituir a matança como política de Estado

A política econômica neoliberal não se elege pelo voto e não se sustenta no Estado Democrático de Direito - nem em qualquer simulação que chegue perto disso. Isso não é novidade para ninguém. Muito menos pelos doutrinados de Milton Friedman

Bolsonaro na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Foto: Marcos Corrêa/PR)

A política econômica neoliberal não se elege pelo voto e não se sustenta no Estado Democrático de Direito – nem em qualquer simulação que chegue perto disso. Isso não é novidade para ninguém. Muito menos pelos doutrinados de Milton Friedman.

Nos anos 70, foi necessário se implantar uma ditadura sangrenta sob a batuta do general Augusto Pinochet, que deixou mais de 3 mil mortos, milhares de presos e 200 mil exilados, para que o laboratório neoliberal transformasse o Chile na “Suíça da América Latina”, como já definiu Paulo Guedes.

Nos anos 90, o neoliberalismo trocou o verde oliva pelo terno e gravata e buscou numa pretensa superioridade intelectual eleger governos, como o de FHC no Brasil, para continuar a espoliação na América Latina. A falácia neoliberal não se sustentou e abriu espaço para governos progressistas no Brasil e na América Latina.

Governos progressistas eleitos sob o crivo do sistema financeiro internacional – lembram-se da Carta ao Povo Brasileiro, de Lula, em 2002? – que nunca limitaram ou taxaram os exorbitantes lucros da elite, tampouco acabaram com algum tipo de privilégio que sempre imperou nas castas superiores. Mesmo distribuindo um pouco mais de renda e reduzindo parcamente a desigualdade social.

A sanha pela acumulação do capital, no entanto, não admite perder nada. Nem mesmo migalhas. E iniciou nos últimos anos um levante fascista para implantar à força as medidas neoliberais e usurpar o que resta das riquezas na América Latina.

Junto a isso, fomentou o ódio discriminatório contra qualquer coisa que fuja daquilo que consideram os valores da “tradição ocidental judaico-cristã”, taxando de terrorista desde indígenas a adversários políticos do campo progressista.

Agora é preciso uma licença para das ares de legalidade ao extermínio – que já ocorre na Bolívia, no Chile e que teve início hoje na Colômbia. E Bolsonaro, com seu excludente de ilicitude em operações para Garantia da Lei e da Ordem (GLO), dá as diretrizes para se instituir a matança como política de Estado. Um novo AI-5 a ser seguido pelos seus pares na América Latina.

Notícias relacionadas


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum