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19 de fevereiro de 2020, 10h47

OEA convoca governo Bolsonaro para explicar ataques à liberdade de expressão no país

Audiência será em março e é resultado de denúncias diárias de diferentes entidades, como CUT e Abraji

Jair Bolsonaro, no momento em que faz comentário misógino sobre jornalista da Folha (ReproduçTwitter)

A pedidos de diversas entidades e movimentos sociais do Brasil, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), vinculada à Organização dos Estados Americanos (OEA), vai convocar, em março, o governo de Jair Bolsonaro para uma audiência sobre a escalada de violações à liberdade de expressão no país.

Faz parte das denúncias levadas ao órgão o recente ataque do presidente à jornalista da Folha de S.Paulo, Patrícia Campos Mello. Em entrevista na manhã desta terça-feira (18), quando voltou a falar com jornalistas, Bolsonaro fez ilações sobre uma suposta ligação da repórter “com o PT” e ironizou as fake news propagadas pela milícia virtual sobre o depoimento de Hans River.

“Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim”, ironizou Bolsonaro, provocando risos em apoiadores que acompanharam a entrevista.

Ao longo dos últimos meses, o presidente Jair Bolsonaro cometeu inúmeros ataques aos direitos humanos e à liberdade de expressão, estratégia vista como uma institucionalização da censura no país. “O Brasil sempre conviveu com muitos casos de violação à liberdade de expressão, mas eram casos difusos. O que diferencia este histórico do momento presente é que, a partir do governo Bolsonaro, essas violações passaram a ser política de Estado”, explica Renata Mielli, coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

Os organismos internacionais têm sido notificados quase que diariamente sobre violações cometidas pelo governo Bolsonaro. Apesar do acúmulo de ataques, o processo de solicitação de uma audiência não foi fácil, já que concorre com pedidos do mundo inteiro. Por isso, a convocação do governo em março foi vista como uma vitória dos movimentos sociais, que agora terão a oportunidade de dar visibilidade internacional ao cenário de censura e perseguição política e ideológica por parte do governo.

Dentre as organizações que assinaram a solicitação, estão a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Instituto Vladimir Herzog.

Confira a solicitação completa aqui.


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