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23 de março de 2018, 09h24

Operador tucano usou nomes de babás da família em lista irregular de reassentamento

Os desvios de Paulo Preto, em uma lista ilícita de quase 1.800 pessoas, somaram R$ 7,7 milhões entre os anos de 2009 e 2011

Denúncia da força-tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo afirma que Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto e apontado como operador do PSDB, incluiu indevidamente uma lista de quase 1.800 pessoas em programas de reassentamento de famílias desalojadas por grandes obras viárias da estatal paulista Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A). Nesta lista, o operador tucano usou ainda nomes de seis funcionários de sua família, incluindo três babás.

De acordo com a acusação do Ministério Público Federal em São Paulo, protocolada nesta quinta-feira (22), os desvios somaram R$ 7,7 milhões entre os anos de 2009 e 2011. O órgão investiga o caso porque os recursos foram repassados pelo governo federal à administração paulista.

Paulo foi diretor de engenharia da Dersa e é apontado pelo MPF como comandante do esquema. Além dele, foram denunciadas quatro pessoas, incluindo José Geraldo Casas Vilella, chefe do departamento de assentamento da Dersa, e a psicanalista Tatiana Arana Souza Cremonini, filha do operador tucano.

Os cinco são acusados dos crimes de formação de quadrilha, peculato (apropriação ou subtração de bem público) e inserção de dados falsos em sistema público de informação. Na denúncia, os procuradores descrevem três conjuntos de desvios. Paulo, Geraldo e uma ex-funcionária da Dersa se envolveram com os três. A irmã da ex-funcionária e Tatiana participaram de um caso cada uma.

Para a força-tarefa da Lava Jato em São Paulo, “os múltiplos crimes de peculato e inserção de dados, cujas penas são de 4 a 12 anos cada [uma], ocorreram em continuidade delitiva, com a possibilidade de a pena ser aumentada de um sexto a dois terços em cada fato criminoso narrado na denúncia”. Paulo e Geraldo estão sujeitos a uma condenação que pode variar de 15 a 81 anos, “mais o agravante do crime continuado”.

A defesa de Paulo Preto, representada pelo advogado Daniel Bialski, afirma que “esta denúncia é contrária à própria conclusão da auditoria interna e investigações internas que inocentaram Paulo Vieira de Souza de qualquer ato ilícito ou favorecimento a quem quer que seja”. “Igualmente, a denúncia não se ampara nos elementos informativos colhidos no inquérito policial que mostraram que ele não cometeu qualquer crime.”

Leia a matéria completa no UOL


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