Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
14 de fevereiro de 2020, 13h19

Os cavaleiros do apocalipse brasileiro, por Dilma Rousseff

Com suas falas e ações, Guedes assume o papel de porta-voz do fim do mundo

Paulo Guedes e Bolsonaro - Foto: Reprodução

Por Dilma Rousseff*

A desumanidade revelada nas frases de Paulo Guedes não é apenas maldade, é método de ação, é visão de mundo. Na verdade, é programa de governo. O neoliberalismo que ele foi encarregado de executar em nome de Bolsonaro e de todos os golpistas de 2016 se mostra claramente nas medidas que o governo adota, e é operado nas declarações agressivas do ministro. São frases que traduzem à perfeição a visão e o contexto em que age o neoliberalismo no Brasil.

A agenda neoliberal, no plano social, está retratada sem disfarces no recente insulto às empregadas domésticas e aos pobres em geral, na ofensa aos servidores públicos chamados de parasitas, no esforço para cortar a pensão paga aos idosos por meio do BPC, na tentativa de taxar o seguro-desemprego, no projeto de privatizar a previdência social via capitalização, na defesa do AI-5 como forma de reprimir manifestações populares e na confissão do ministro que sintetiza o plano todo: “Não olhem para nós procurando o fim da desigualdade social”.

Com suas falas e ações, Guedes assume o papel de porta-voz do fim do mundo. Só que a cada medida que põe em prática e a cada barbaridade que fala, Guedes mais se assemelha a um cavaleiro do apocalipse brasileiro. E ele não está só, de jeito nenhum. Na visão profética do apóstolo João, os cavaleiros do apocalipse eram a Peste, a Guerra, a Fome e a Morte. Na tragédia neofascista e neoliberal encenada no Brasil, os cavalos estão montados por Bolsonaro, Guedes, Weintraub e Damares – isto quando não somos acossados por alguns outros candidatos em busca de montarias extras, como se o governo quisesse formar uma verdadeira cavalaria da destruição.

Desde o princípio de sua existência o Brasil excluiu o povo de seus direitos básicos. Isto só deixou de acontecer em alguns momentos da história, como no período das conquistas trabalhistas e, sobretudo, quando o PT chegou ao governo, em 2003. Os pobres passaram então a fazer parte do orçamento público e a ter direitos que vinham lhes sendo negados, como acesso de 1,8 milhão de empregadas domésticas à legislação do trabalho, de 20 milhões trabalhadores a empregos formais, de 63 milhões a atendimento pelo programa Mais Médicos, de 2,7 milhões de famílias à casa própria, para citar apenas algumas de muitas conquistas.

Infelizmente, é necessário dizer que tais direitos começaram a ser reduzidos com o golpe que me derrubou ilegalmente da presidência em 2016, e estão sendo destruídos desde à ascensão de Bolsonaro e Guedes ao poder.

O apocalipse brasileiro é social. E a reconquista do Brasil pelo voto vai exigir grande esforço de todos. Um trabalho difícil de reconstrução, para o qual terão de contribuir, unidas, as forças democráticas, progressistas e populares. A gênese deste renascimento terá de ser gerada nas ruas, nas fábricas e nas empresas, nos sindicatos e nos movimentos sociais, nas escolas e nas universidades. Onde quer que o nosso povo possa se manifestar. Mas reconquistar e avançar é nossa esperança e nossa força.

*Dilma Rousseff (PT) é ex-presidenta do Brasil

Publicado originalmente no site dilma.com.br


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum