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18 de dezembro de 2018, 10h27

Para ex-presidente da Funai, índio vive o seu pior momento no País

“É preciso deixar claro que índio não tem um só palmo de terra no Brasil. Ele não é dono de nada. O dono é a União, que lhe garante o usufruto exclusivo daquela área”, diz Sydney Possuelo

Foto: Jorge Mejía Peralta/Wikipedia

Em entrevista ao Estadão, publicada nesta terça-feira (18) o indigenista Sydney Possuelo, 78, ex-presidente da Funai, afirma que o índio vive o seu pior momento no País.

A Funai deixará a estrutura do Ministério da Justiça para se integrar à pasta da Mulher, sob o comando de Damares Alves. Ela já falou, por exemplo, em rever a política para os chamados povos isolados. O sertanista avalia que só cabe ao índio fazer o primeiro contato.

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Ele afirmou que “a retórica antiga de que há muita terra para pouco índio é perigosa. Primeiro, é preciso deixar claro que índio não tem um só palmo de terra no Brasil. Ele não é dono de nada. O dono é a União, que lhe garante o usufruto exclusivo daquela área”, disse. Para ele, o presidente eleito Jair Bolsonaro precisa de esclarecimento, pois há um risco de extinção da Funai, que já não tem força.

Ainda sobre o assunto, Possuelo afirma que “um só homem do agronegócio pode ter centenas de milhares de hectares, mas uma comunidade inteira de índios não pode ter. É preciso lembrar que o Brasil foi configurado pelo braço e pela presença do índio”.

Possuelo considera o Marechal Rondon como um herói, que criou em 1910 o Serviço de Proteção ao Índio, o SPI. Ele afirma ainda que na questão de estrutura e recursos o melhor momento para a Funai foi o período do regime militar, depois de 1964. “Havia poder de demarcar as terras, de vigiá-las, de não permitir invasões. Manter essa tradição seria um fato fantástico desse novo governo”, disse.

Sobre Bolsonaro, ele lembrou ainda que, enquanto candidato, “disse que iria abrir as terras indígenas para o agronegócio. Isso é acabar com os índios, é um erro. Temos uma quantidade imensa de terras onde já cabe o agronegócio, que é importante para o País, mas as florestas nacionais e as terras indígenas também são. Tudo cabe neste País imenso”, comentou.

Mesmo com tudo isso, o ex-presidente da Funai ainda se mostra otimista em acreditar que Bolsonaro “vai raciocinar melhor e, mais tranquilo, vai consultar a si mesmo. Não precisa consultar luminares. Basta ele analisar a nossa história, a história das Forças Armadas, para perceber como esses homens foram importantes para o País. Seria um erro gravíssimo fazer da floresta um campo de soja. Há outras terras para a agricultura”, encerrou.

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