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30 de maio de 2019, 07h54

Partido Novo caça “pessoas de boa vida financeira” para disputar prefeituras de oito cidades

Sigla contratou empresa de "headhunters" para selecionar executivos para disputar prefeituras de São Paulo, Rio, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte e Recife nas eleições 2020

Bancada do Novo em café da manhã com Bolsonaro (Divulgação/PR)

Após lançar o candidato mais rico entre os presidenciáveis em 2018, o Partido Novo contratou uma consultoria de seleção de executivos – conhecidas como “headhunters” – para caçar pessoas de “boa vida pessoal e financeira” para disputar prefeituras de São Paulo, Rio, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte e Recife nas eleições 2020.

“O Novo busca empresários ou executivos de alto escalão (presidentes de empresas ou cargos de direção), com grande experiência administrativa. É desejável ter experiência com administração pública. O candidato à vaga tem de ter uma vida pessoal e financeira equacionada. Os interessados não poderão ser atraídos pela remuneração”, disse Carlos Eduardo Altona, sócio da Exec, empresa contrata pela sigla, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo nesta quinta-feira (30).

Os candidatos têm de fazer inscrição no site do partido Novo. O nome passará por um primeiro filtro dos diretórios municipais e nacional e, depois, será encaminhado para a Exec dar continuidade ao processo de seleção. Ao passar para a segunda fase, cada candidato terá de desembolsar R$ 4 mil para continuar no processo.

Segundo analistas, atualmente há dificuldades para atrair gestores da iniciativa privada para o setor público, e um dos fatores para isso seria a remuneração.

O ex-presidenciável João Amoêdo, que não pretende concorrer, reconheceu que o setor público tem ineficiências de gestão, não remunera bem, mas há desafios em ser o gestor de uma cidade. “Um empresário ou executivo sabe fazer uma melhor realocação de recursos. Vamos trazer gente experiente, que saiba o que é responsabilidade fiscal e possa traçar um plano estratégico, garantindo uma boa gestão”, disse.

Linha auxiliar do Bolsonarismo
Com oito deputados federais, o Partido Novo é a sigla que tem mais alinhamento ideológico nas pautas econômicas do governo Jair Bolsonaro (PSL).

Linha auxiliar do Bolsonarismo, nas 17 propostas legislativas que passaram pelo plenário da Casa desde fevereiro, a bancada do Novo só contrariou o governo uma vez: ao apoiar a derrubada, em fevereiro, do decreto presidencial que ampliava o rol de funcionários aptos a impor sigilo a documentos públicos.

E o alinhamento não se deu apenas em temas econômicos. A convocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, por 307 votos a 82,evidenciou a posição do Novo em defesa do governo numa pauta de teor mais político. O partido isolou-se ao lado do PSL, legenda de Bolsonaro, e do governo ao orientar seus parlamentares contra a convocação do titular da Educação. Todos os demais partidos ficaram a favor, o que provocou a mais expressiva derrota do Palácio do Planalto até agora na Câmara.

Elogiado por integrantes da equipe econômica, o líder da legenda na Câmara, Marcel Van Hattem (Novo-RS), se aproximou do clã Bolsonaro depois de se enturmar com o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o filho “03” do presidente. Ele nega que o partido caminhe para virar base do governo.

“De forma nenhuma. O partido é independente, apoia projeto a projeto. É, até certo ponto, coincidência o fato de que estejamos votando com o governo, no sentido de que coincidem muitas das iniciativas com aquelas que o partido Novo defende”, afirmou Van Hattem, que, no domingo passado, esteve em manifestação no Rio Grande do Sul a favor do governo.

Com informações do jornal O Estado de S.Paulo


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