Fórumcast #20
16 de novembro de 2018, 11h00

Preso e torturado, homem inocente processa Magno Malta por ligá-lo à pedofilia

Ex-cobrador de ônibus foi injustamente acusado, em 2009, de estuprar filha de dois anos, tendo a esposa como cúmplice; à época, senador pressionou até o delegado para prender Luiz Alves de Lima

Foto: Reprodução/YouTube

O senador Magno Malta, um dos homens de confiança de Jair Bolsonaro e favorito para assumir um dos ministérios do militar, está sendo processado pelo ex-cobrador de ônibus Luiz Alves de Lima, 45 anos. O homem foi inocentado, depois de preso injustamente, acusado de ter estuprado a própria filha, tendo como cúmplice sua esposa, Cleonice Conceição. Lima ficou um período de nove meses preso no Centro de Detenção Provisória de Cariacica, Espírito Santos, onde foi brutalmente torturado, de acordo com reportagem de Anna Virgínia Balloussier, da Folha de S.Paulo.

O que liga a história do ex-cobrador de ônibus a Magno Malta é que no terceiro dia de prisão, o senador chegou “com um batalhão de gente”, incluindo inúmeros jornalistas, e assumiu as funções de “juiz, promotor, delegado”, revela Lima. O delegado do caso escreveu em seu relatório: “Malta manifestou-me que, por sentimento pessoal e experiência profissional, entende ser o pai da criança o autor do delito”.

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O senador baiano, radicado no Espírito Santo, era presidente da CPI da Pedofilia em 2009, quando ocorreu o fato. Na época em que Lima foi preso, Malta prometeu em plenário que “os pedófilos desgraçados estavam com os dias contados”.

Durante as sessões de tortura, Lima perdeu a visão do olho direito e, do esquerdo, tem somente 25%. Depois de inocentado em todas as instâncias da Justiça, o ex-cobrador de ônibus, que ficou incapacitado devido à violência a que foi submetido, processa o senador, o estado e o médico responsável pelo laudo que o colocou como suspeito.

“Circo”

Lima declarou que tudo que passou só foi aconteceu em consequência do “circo” montado por Malta. Cleonice, esposa do ex-cobrador, ficou 42 dias presa e afirma que foi pressionada pelo senador para acusar o marido.

Lima e Cleonice perderam a guarda da filha. A menina chegou a afirmar a uma psicóloga que tinha medo que o pai, por estar ausente, não gostasse dela. Só não foi para a adoção porque a mãe da esposa vendeu tudo o que tinha e veio da Bahia. Hoje, a filha tem 12 anos e ainda mora com a avó.

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