“Se venderem, tomo de volta”, diz Ciro Gomes sobre planos de Bolsonaro de privatizar a Petrobras

Declaração do pré-candidato à presidência pelo PDT irritou o vereador Carlos Bolsonaro: "Essas terceiras vias..."

O ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato à presidência pelo PDT, afirmou nesta terça-feira (27) que, caso seja eleito presidente e Jair Bolsonaro concretize seus planos de privatizar a Petrobras, vai reestatizar a empresa.

“Se venderem, eu tomo de volta com as devidas indenizações”, disse durante live transmitida em suas redes sociais.

Segundo o pedetista, “o que Bolsonaro e Guedes planejam, com esta absurda política de preços de combustíveis, é, nada menos, que a privatização da Petrobras”, e que isso se trata de uma “estratégia maligna”.

“Se baseia em dois polos: de um lado, tornar a Petrobras queridinha dos mercados internacionais. De outro, torná-la antipática ao povo brasileiro”, pontuou.

A declaração de Ciro prometendo “tomar de volta” a Petrobras caso Bolsonaro a privatize irritou um dos filhos do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

“Tire suas conclusões sobre todo o enredo que cerca os poderes. Essas terceiras vias…”, escreveu Carluxo.

Privatização da Petrobras e mobilização dos petroleiros

O presidente Jair Bolsonaro, bem como seu ministro da Economia, Paulo Guedes, intensificaram nos últimos dias as declarações sobre planos para privatizar a Petrobras e trabalhadores da empresa reagiram rápido. Em comunicado divulgado nesta nesta terça-feira (26), a Federação Única dos Petroleiros (FUP) informou que prepara uma greve nacional contra a ideia de vender a estatal.

Na segunda-feira (25), após anúncio do novo aumento no preço dos combustíveis, Bolsonaro afirmou que a privatização da Petrobras “está no radar”. Ele já havia afirmado em outubro que tem “vontade” de privatizar a petroleira.

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Guedes, que desde o início do governo expõe publicamente seu desejo de entregar a empresa estatal ao capital privado, por sua vez, disse, também nesta segunda-feira, que “a Petrobras vai valer zero daqui a 30 anos” e que por isso é preciso vendê-la”.

Não se trata, no entanto, apenas de uma retórica discursiva em meio ao aumento dos preços dos combustíveis. O senador Fernando Bezerra (MDB-PE), líder do governo no Senado, afirmou à agência Reuters que o Planalto estuda, sim, um projeto de lei (PL) para vender as ações da Petrobras, o que resultaria, na prática, na privatização da companhia.

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A ideia de Bolsonaro é vender a participação que o governo tem na Petrobras e dessa forma alterar o quadro societário da empresa, passando-a à iniciativa privada. Tal procedimento seria possível por meio de um PL que necessitaria apenas de maioria simples no Congresso. Em síntese: uma manobra legal para se desfazer da maior e mais lucrativa empresa brasileira sem que haja resistência da sociedade e do parlamento.

Como reação, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) informou que, ao longo desta semana, realizará assembleias para discutir o início de uma greve nacional caso o projeto de privatização da Petrobras seja, de fato, pautado na Câmara.

“Não vamos aceitar de forma alguma calados esse projeto de privatização. A maior empresa do Brasil e da América Latina está sendo esquartejada por esse mesmo governo que beija a mão daqueles que lucram com o desmonte da Petrobras, enquanto o povo paga preços exorbitantes para os combustíveis”, disse Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP.

“Eles estão enfrentando a nossa resistência nas tentativas de privatização da Petrobras, por isso querem impor um projeto de lei que acabe de vez com qualquer possibilidade de reconstrução da estatal. Não vamos permitir isso. A categoria petroleira vai responder à altura e a luta vai ser grande”, completa o líder petroleiro.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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