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01 de janeiro de 2019, 12h02

As mulheres protagonistas de Roma, filme de Alfonso Cuarón

Além de retratar o México de 1970 e um dos episódios mais tristes da história do país, o Massacre de Corpus Christi, Roma ainda fala do trabalho doméstico, preconceito e abandono paterno.

Reprodução

O filme Roma, do diretor mexicano Alfonso Cuarón, disponível na Netflix, além de reviver a cidade do México de 1970, aborda também as contradições de classe e a história de mulheres, em especial as muitas trabalhadoras domésticas da América Latina. Elas vivem as vidas das famílias de classe alta, cuidam dos filhos de outras mulheres, deixando de viver as suas próprias vidas.

Essa mulher de Roma é representada por Cleo (Yalitza Aparicio), inspirada em Liboria Rodríguez, a Libo, a quem Cuarón dedica o filme. Trata-se de uma mulher de origem indígena, da aldeia de Tepelmeme no Estado de Oaxaca, que começou a trabalhar na família do diretor quando ele tinha apenas 9 meses.

Em Roma, Cleo acorda e dorme no emprego, sua rotina começa despertando as crianças, servindo o café da manhã da família, preparando todos os quatro filhos pequenos do casal Sofia (Marina de Tavira) e Antonio (Fernando Grediaga) para a escola e só termina após todos dormirem. Uma jornada para muito além de oito horas diárias.

As crianças têm um carinho enorme por Cleo, mas ao mesmo tempo é para ela que todos demandam tudo. A história desta mulher indígena poderia ser a de alguma mulher negra brasileira, país que tem o maior número de empregadas domésticas, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Grávida, Cleo ainda sofre o machismo tão presente até em nossos dias, com o abandono do pai da criança, porque para muitos homens o aborto paterno é permitido.

É com o abandono de dois homens que a história de Cleo e Sofia se misturam. São elas por elas, “estamos sempre sozinhas”.
Massacre de Corpus Christi

O belo filme de Cuarón ainda traz à tona o contexto político do México, sede da Copa de 1970. A cena do Massacre de Corpus Christi, ou Halconazo, que ocorreu em 10 de junho de 1971, é terrível. É um dos episódios mais tristes da história mexicana, que deixou pelo menos 120 estudantes mortos que protestavam contra a opressão do governo de Luis Echeverría Álvarez, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México por 71 anos, de 1929 até 2000.

Foram mortos pelos soldados treinados pela CIA de um grupo paramilitar financiado pelo Estado e conhecido como “Los Halcones” (Falcões, em português), para reprimi-los.

Os Falcões eram homens geralmente moradores de áreas pobres, que eram seduzidos pelos treinamentos intensos de artes marciais. Sobreviventes contam que eles usavam bambus, da arte marcial japonesa kendo no massacre, além de arma de fogo.

Assista ao trailer de Roma.


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