Debates em SP e Porto Alegre… Por favor, respeitem a política!, por Cleber Lourenço

A partir do momento que candidatos colocam propostas em segundo plano e partem para cantorias, baixarias e mentiras descabidas, eles sinalizam o seu desrespeito pelo processo eleitoral e pela democracia.

Ontem tivemos debates nas cidades de São Paulo e Porto Alegre. Debates em que tivemos a oportunidade perfeita para contemplar a antipolítica, em seu estado mais puro.

Hasselmann, Arthur do Val e Rodrigo Maroni. Os dois primeiros de São Paulo, o último, de Porto Alegre. Todos militantes da antipolítica e presentes nos eventos. Deram um show de indisciplina, delinquência e infantilidade.

Maroni parece que usou seu espaço para deixar explícito seu ressentimento, ou algum tipo de mágoa, por Manuela d’Ávila, com quem já teve um relacionamento amoroso.

Joice Hasselmann, Russomano e Arthur do Val, sinceramente, passaram a impressão de que não acreditam em suas candidaturas, o que é um desrespeito absurdo com o eleitorado que acompanha o processo.

Um verdadeiro show de horrores protagonizado pela tríade!

Arthur chegou a afirmar, ao vivo, que Boulos botou fogo em um prédio na Av. Paulista, um disparate completo. Joice Hasselmann, num tom infantiloide, cantou uma musiquinha tosca para Bruno Covas.

Já Russomano, insistiu em contar uma mentira produzida por um notório mentiroso compulsivo, que já foi julgado e condenado pela prática.

É claro, não sem seguirem com seus discursos batidos contra a política.

A antipolítica é esse desrespeito com os eleitores. Uma gente que só quer fazer bagunça, criar confusão e degradar algo tão nobre.

Arthur ainda soltou uma ode à cidade de São Paulo, afirmando que ela é a locomotiva do país. Algo que mostra falta de repertório político, característica comum em militantes dessa corrente de pensamento, que amam palavras de ordem e os simplismos.

São Paulo, hoje, vive sim com uma concentração de investimentos desproporcional, em detrimento da exploração de outras regiões não só do estado, como do país.

Musicais

Agora, o auge da sinalização do descompromisso com a política e o desrespeito com o eleitor foi alcançado por Maroni, em Porto Alegre, e Hasselmann, em São Paulo. Ambos cantaram músicas em tom de deboche, só que em momentos distintos.

 Joice Hasselmann (PSL) questionou Bruno Covas (PSDB) sobre o IPTU e cantou uma música. Rodrigo Maroni, de Porto Alegre, encerrou o debate cantando uma música do He-Man, interpretada pelo grupo Trem da Alegria dos anos 80.

Covid-19

Atenção para Russomanno, Mamãe Falei e Joice, que foram os únicos a encerrar o debate sem máscara. Muito claro a mensagem que passam.

Vergonha

A partir do momento que candidatos colocam propostas em segundo plano e partem para cantorias, baixarias e mentiras descabidas, eles sinalizam o seu desrespeito pelo processo eleitoral e pela democracia. Não dá para que debates virem picadeiros de circo, ou até mesmo esquetes do finado programa humorístico Zorra Total.

A política exige seriedade, postura e compromisso com a coisa pública. Nesse quesito, brilharam não só Guilherme Boulos, como também Bruno Covas, Marina Helou, Jilmar Tatto e Andrea Matarazzo, que conseguiram manter o nível e a qualidade das perguntas e respostas.

Infelizmente, França passou despercebido. Estava preocupado demais querendo dizer que não era nem de esquerda, nem de direita.

Já no debate de Porto Alegre, as mulheres brilharam demais!

Fernanda Melchionna e Manuela d’Ávila mostraram o quão nobre pode ser a política. Falaram de políticas públicas, Estado e propostas. Seriedade e profissionalismo.

Política tem que ser assim, com projetos concretos!

O eleitorado brasileiro não merece esse tipo de esculhambação e falta de respeito.

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Cleber Lourenço

Não acho que o debate politico e o jornalismo precisem distribuir informação de forma fria e distante dos leitores, notícias são somente úteis no contexto do cotidiano e é nisso que acredito.

E-mail: cleber@ocolunista.com.br