Elika Takimoto

28 de novembro de 2019, 10h40

Dei uma prova diferente de física, por Elika Takimoto

Como disse Einstein: "a imaginação é mais importante que o conhecimento". E não é que parece que ele está certo?

Foto: Elika Takimoto

Dei uma prova de física (sobre Relatividade) diferente: os alunos não tinham que responder nada e sim elaborar perguntas. Eles podiam usar celular, internet, WhatsApp… Só pedi para não conversarem entre eles para não atrapalhar a concentração do colega. A prova teve três folhas com um texto meu sobre o tema.

Nem precisava de gúgol para obter mais informações sobre o assunto, mas se eles não gostassem do meu texto e quisessem ler outro, estava tudo liberado.

Tudo isso me ocorreu pq sou contra o sistema tradicional de ensino e luto por uma escola que ensine os alunos a perguntar, a questionar, a pesquisar, a debater e não somente a responder de forma mecanizada. Não estou aqui para passar conteúdo apenas.

“Professora, eu tenho que saber a resposta da minha pergunta?”, foi uma dúvida que surgiu na hora da prova. Preferencialmente, nem eu devo saber. Respondi. Como disse Einstein: “a imaginação é mais importante que o conhecimento”. E não é que parece que ele está certo?

Fomos de Marx (que está na moda por ser proibido) ao amor eterno passando por questionamentos sobre a natureza da matemática e o conceito de livre arbítrio. Seguem algumas respostas (ops, perguntas) para a vossa apreciação.
Essa foi a prova:
Tia Elika, o que aconteceu depois que você começou a aplicar a Teoria da Relatividade em sua vida?
Será que teorias mais inteligentes só nascem pelas contradições internas das antigas teorias?
Quais seriam as consequências de se abstrair isso para o campo das ciências humanas? Se a realidade funciona de forma diferente para cada observador, não haveria uma verdade só, mas diferentes verdades. Como se debater política sem que aceite uma só realidade como verdadeira?
Se tudo não passa do nível das ideias, como conseguem fazer foguetes e satélites com a utilização desses conceitos?
A criação de realidades alternativas faz sentido científico?
Sempre imaginei o tempo como sendo um rio. Com base na relatividade posso associá-lo a quê?
Se a distinção de passado, presente e futuro é uma ilusão, significa que tudo o que eu fizer agora está pré-determinado?
Tenho uma prova de física p fazer e preciso mais tempo. Eu poderia entrar num avião q voa com uma velocidade bem alta se afastando da Terra e deixar a Elika esperando já q qto mais rápido mais devagar o tempo passa? Eu posso estragar tudo e ainda ter menos tempo p fazer a prova?
Extinguindo-se a ideia de passado, presente e futuro e sabendo que o que vivemos agora pode não ser simultâneo em outro referencial, como entendemos os conceitos de “destino” e “livre-arbítrio”?
É possível amor eterno? Acredito que sim. Leve o casal que se ama para o planeta da primeira questão onde a gravidade tende ao infinito e o tempo tende a estar parado. Do referencial do casal, o amor será eterno.
Tem muito mais. Essa foi uma pequena seleção para vocês verem o que acontece quando damos uma aula onde não estimulamos que saiam dos alunos respostas prontas e sim questionamentos em cima do que se pesquisa e do que já se viveu nessa terra redonda.
Viva a física e a filosofia!

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