Dia 24 de julho tem mais Fora Bolsonaro! – Por Raimundo Bonfim

A cada ação desastrosa e criminosa de Bolsonaro diante de fatos que levam seu governo para o atoleiro da corrupção, aparece o desespero de um presidente autoritário e fascista

Em meio à pressão das ruas pela abertura do processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, por crimes cometidos contra a democracia, incentivo a aglomerações e descumprimento de medidas de prevenção à Covid-19, corrupção na compra das vacinas, entre inúmeros outros, o país agora se depara com ameaças vindas de integrantes das Forças Armadas, que prometeram uma reação “mais dura”, caso a CPI da Covid investigue os casos de corrução praticados por militares que estão no governo.

Tivemos recentemente entre os temas da CPI da Covid-19 a revelação de que houve irregularidades nas transações que envolveram a compra das vacinas Covaxin e AstraZeneca, o que colocou no centro das atenções justamente o Ministério da Saúde, à época das negociatas, comandado pelo General Eduardo Pazuello. Apesar dos fatos gravíssimos que indicam a existência de esquemas de corrupção na compra de vacinas, diante de uma pandemia que já matou mais de 540 mil brasileiros, os militares mandaram seu recado. Mas a mensagem dos militares não nos pegou de surpresa. Estamos alertas, pois sabemos que a democracia em nosso país, com os duros golpes que tem sofrido com a tutela militar, está sob ameaça constante. Não nos intimidarão. Generais, voltem para os quartéis.

Sabemos bem o que uma reação “mais dura” dos militares pode significar, mas não vamos aceitar e nem admitir que se pratique qualquer violência contra a democracia, ainda que ela tenha sido subtraída nos últimos anos. E em relação à instituição Forças Armadas, o que se assiste é a sua transformação em um partido militar aliado e alinhado com a política genocida e corrupta do presidente Jair Bolsonaro. Mas a proteção das fronteiras brasileiras, que é responsabilidade das Forças Armadas, fica em último plano. Neste período sombrio que vivemos, a politização das Forças Armadas e a militarização da política são componentes da concretização do golpe que teve início em 2016, com tomada do poder por parte da burguesia, com Michel Temer, e a condenação e prisão do Lula, com a fraude que elegeu Jair Bolsonaro.

A cada ação desastrosa e criminosa de Bolsonaro diante de fatos que levam seu governo para o atoleiro da corrupção, aparece o desespero de um presidente autoritário e fascista.  Não fossem a tutela dos militares, o apoio da burguesia, do centrão na base das emendas e cargos no governo, o processo do impeachment já teria sido instalado. Com o aumento da rejeição e a possibilidade de uma derrota eleitoral em 2022, Bolsonaro ataca o processo de votação via urna eletrônica.  Isso não passa de uma jogada para tirar o foco da catástrofe econômica, social, política e sanitária que é governo.

De todas as formas, Bolsonaro e seus apoiadores tentam garantir mais tempo de poder tanto para o próprio presidente, quanto para os deputados que formam a sua base de sustentação em troca de benesses que lhes são concedidas. Uma troca suja que concorda em fechar os olhos para os crimes do presidente, como tem feito o deputado Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, que é responsável por instalar o processo de impeachment e não o faz, o que colabora para que mais vidas sejam perdidas diariamente no nosso país. Trata-se de uma omissão criminosa. 

E Lira vai além, ao articular na Câmara a aprovação da proposta de semipresidencialismo no nosso país, mostra o desespero de quem vê Bolsonaro perder popularidade e aprovação, pesquisa após pesquisa. É o desassossego de quem vê o ex-presidente Lula sendo inocentado de todas as acusações que lhe foram feitas, uma a uma, e de ver que dispara em popularidade e credibilidade. Como sabe que será muito difícil reverter a vitória das forças democráticas, representadas por Lula, o presidente da Câmara tenta se antecipar a uma acachapante derrota da extrema-direita, diminuindo a força do próximo presidente do país. Lira caminha contra a via das prioridades, que é a instalação do processo de impeachment do presidente. Com Bolsonaro no poder, não teremos chances de retomar o crescimento e desenvolvimento econômico, gerar emprego e renda, combater a fome e a desigualdade social. Derrubar Bolsonaro e todo o seu governo é a prioridade das manifestações de ruas.

A indignação contra o descaso e irresponsabilidade do governo Bolsonaro em todas as áreas sociais, sobretudo na Saúde, tem levado milhares de pessoas às ruas do Brasil e do exterior, que aderiram à campanha Fora Bolsonaro. Os protestos têm sido cada vez maiores.

Para defender a vida e o nosso povo da política de extermínio de Bolsonaro, nos unimos nesta caminhada de luta e resistência com o objetivo de derrubar este governo que só tem levado fome, miséria, desemprego e morte às famílias do nosso país. É hora de conclamar o povo, os movimentos populares, organizações sociais e forças políticas comprometidos com um projeto democrático e popular para seguirmos nas ruas em defesa da continuidade das investigações da CPI da Covid-19, com indiciamento dos responsáveis pelas milhares de mortes no país, além de cobrar a resposta da Câmara dos Deputados aos mais de cem pedidos de impeachment de Bolsonaro que seguem sem análise. O próximo dia 24 de julho é mais um dia de resistência e luta por vacina para todos, auxílio emergencial de 600 reais até o fim da pandemia. E fora Bolsonaro.

**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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Raimundo Bonfim

Raimundo Bonfim é advogado, coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP) e membro da coordenação nacional da Frente Brasil Popular (FBP). Iniciou a militância nos movimentos populares em 1986, na Favela Heliópolis, a maior de São Paulo

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