Fórumcast, o podcast da Fórum
01 de janeiro de 2019, 19h46

Normose, Felipe Neto e A Insustentável Leveza do Ser

Existe um trade off entre ganhar dinheiro em detrimento da qualidade de vida, e vice e versa? Se sim, estamos acertando nas nossas escolhas?

Por Tadeu Porto

Em determinada cena do filme “A Insustentável Leveza do Ser”, duas personagens, Tereza e Sabina, parecem simular um cena de sexo – que beira o estupro – numa metáfora envolvendo uma máquina fotográfica.

Eu queria ter escrito esse texto quando o Felipe Neto fez um desabafo no Twitter (engraçado como sites de entretenimento dominaram essa pauta). As palavras dele, de certa maneira me tocaram. Não só pela questão do dinheiro, mas também por pura curiosidade, afinal, em alguma perspectiva válida, o cara é apenas um jovem crescendo.

Aliás, com uma dose de realismo penso que dá até para entendê-lo. O cara é um dos maiores Youtubers do mundo (a geração mais velha ainda não enxergou, mas ele é, no mínimo, o Silvio Santos dos anos 10), entendeu o Streaming – ferramenta que vem gradualmente substituindo a TV – como ninguém e faz muito sucesso na internet, local caótico que não tem muita Ética definida (ofensas criminosas circulam livremente nesse ambiente, por exemplo).

Não deve ser nada simples ser protagonista num campo tão pouco explorado.

Bom, nessa batida, vale a pena refletir um pouco além da pessoa Felipe Neto, tentar entender melhor as circunstâncias que cercam o sua angústia, nos aprofundando como se estivéssemos pegando aquele trem do final do terceiro minuto do vídeo do Normose, feat Antídoto.

Existe um trade off entre ganhar dinheiro em detrimento da qualidade de vida, e vice e versa? Se sim, estamos acertando nas nossas escolhas?

Particularmente, acredito que exista sim tal conflito nas tomadas de decisão do dia e dia. E digo mais (e escrevo mais sobre isso qualquer dia desses), atribuo que nossa sociedade está doente pois o capitalismo nos faz errar a mão justamente nessas escolhas. Faz sentido?

Com essas e “n” outras dúvidas estou estreando em 2019. Chego a esse ano, também, com o pensamento que a insustentável leveza do ser seja o infinito onde nós só podemos ser nós mesmos, afundando feito narcísio no lago da nossa existência, num redemoinho desenhado com a série de Fibonacci.

Também começo esse ano pensando se a tragédia do Édipo Rei serviria, de alguma forma, ao Felipe Neto, a mim ou a quem chegou até aqui.

Por fim, como Marxista, formado pelo movimento sindical e não na carteira de uma escola, acredito (sem dogmas, plmdd) que “não é a consciência do homem que determina seu ser, mas é seu ser social que determina sua consciência”.

É como se uma salva de palmas, e alguns muitos estalos, nos formasse.

(E aí NORMOSE, Suave… Tranquilo? Você eu sei que chegou até o fim desse texto. Queria te convidar para um café e acabei escolhendo esse fórum para te deixar uma afirmação e uma pergunta: penso que o último teorema de Fermat é tipo um Koan. O que você acha? Abraços!)

Bônus track: A cena entre Tereza e Sabina. Fotos, vídeos ou até 280 caracteres escondem e mostram muita coisa. Que em 2019 possamos enxergar um pouco além! :)


Você pode fazer o jornalismo da Fórum ser cada vez melhor

A Fórum nunca foi tão lida como atualmente. Ao mesmo tempo nunca publicou tanto conteúdo original e trabalhou com tantos colaboradores e colunistas. Ou seja, nossos recordes mensais de audiência são frutos de um enorme esforço para fazer um jornalismo posicionado a favor dos direitos, da democracia e dos movimentos sociais, mas que não seja panfletário e de baixa qualidade. Prezamos nossa credibilidade. Mesmo com todo esse sucesso não estamos satisfeitos.

Queremos melhorar nossa qualidade editorial e alcançar cada vez mais gente. Para isso precisamos de um número maior de sócios, que é a forma que encontramos para bancar parte do nosso projeto. Sócios já recebem uma newsletter exclusiva todas as manhãs e em julho terão uma área exclusiva.

Fique sócio e faça parte desta caminhada para que ela se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie a Fórum