O 7 de setembro deles e o nosso – Por Raimundo Bonfim

Se de um lado teremos grupos que apoiam Bolsonaro, sua política do desemprego, da miséria, da fome, do negacionismo que já tirou 580 mil vidas, do outro lado, no Vale do Anhangabaú, estaremos nós

Ao dar preferência a grupos de direita para ocuparem, no dia 7 de setembro, a Avenida Paulista para a realização de manifestações, o governador de São Paulo, João Doria, optou mais uma vez por quem ele já havia se aliado na campanha de 2018, contra a democracia, pela retirada de direitos da classe trabalhadora e pelo golpe. Mas a tentativa de enfraquecer a campanha Fora Bolsonaro e o Grito dos Excluídos foi frustrada. Nosso protesto não será na Paulista, mas o faremos neste mesmo dia, no 7 de setembro, a partir das 14 horas, no Vale do Anhangabaú.

O governador de São Paulo vetou a manifestação democrática na Paulista em favor de um ato golpista, que será realizado por grupos antidemocráticos, que defendem intervenção militar e fechamento do Congresso Nacional. Ele não só deu preferência para o ato pró Bolsonaro, como tentou impedir a realização da nossa mobilização pela aceleração da vacinação, por direitos e auxílio emergencial até o fim da pandemia, no Vale do Anhangabaú, alegando que a realização de dois atos de grupos contrários no mesmo dia põe em risco a segurança dos manifestantes.

Ao argumentar que não tem como garantir a segurança, o governador passa um atestado de incompetência. Em suma, o que ele diz é que a polícia de São Paulo não tem condições de garantir a segurança de duas manifestações. Onde está então a polícia tão bem preparada e mais competente do Brasil de que Doria tanto se orgulha? Certamente não está à disposição para fazer a segurança das pessoas, mas está nas favelas e periferias praticando violência, sobretudo contra os negros. É o que comprova o relatório da Ouvidoria do Estado de São Paulo sobre a atuação da polícia paulista que matou, em 2020, 780 pessoas, uma média superior a duas vítimas por dia. Do total de assassinados, 56,2% são negros e pardos, 33% brancos e os cerca de 10% incluem asiáticos e indígenas.

A investida de Doria contra o nosso protesto não deu certo, pois a 14ª Vara da Fazenda Pública assegurou a realização do nosso ato no Vale do Anhangabaú, deixando muito claro que as manifestações independem de autorização do Poder Público, não podendo ser vetadas por quaisquer agentes. Nunca tivemos dúvida quanto à posição de João Doria, e a preferência dele por um ato em prol de grupos que apoiam o presidente só reafirma e fortalece nossa certeza sobre o lado que ele sempre esteve.

Nosso ato pelo Fora Bolsonaro está mantido. Se de um lado da cidade teremos grupos que apoiam Bolsonaro, apoiam uma política do desemprego, da miséria, da fome, do negacionismo que já tirou a vida de mais de 580 mil pessoas, do outro lado, no Vale do Anhangabaú, estaremos nós, nos protegendo, usando máscaras e álcool em gel, mas protestando e pressionando para que o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, instale imediatamente o processo de impeachment do presidente. Só o impeachment de Bolsonaro e a queda de todo seu governo serão capazes de trazer esperança ao nosso povo. Não há outro caminho possível. E tem que ser agora, não dá mais para esperar. A vida depende de comida no prato e vacina no braço, depende de geração de emprego, de políticas públicas que garantam a vida com dignidade, e com Bolsonaro no poder isso nunca será possível.

O dia 7 de setembro será totalmente atípico na cidade de São Paulo. A avenida Paulista que há 12 anos tem sido palco para a realização do Grito dos Excluídos, uma verdadeira manifestação pela vida em primeiro lugar e com dignidade, organizada pela Central de Movimentos Populares (CMP) e diversas entidades, vai ser ocupada por uma manifestação antidemocrática com cunho fascista. O Grito dos Excluídos por soberania, participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda não deixará de ser realizado. Ele se juntará ao grito pelo Fora Bolsonaro, contra a política da morte, do desemprego, da carestia dos alimentos, desta política econômica que tira a comida do prato do trabalhador e da trabalhadora.

O grito pelo Fora Bolsonaro é o grito dos excluídos, das pessoas que passam fome diariamente no nosso país, dos que não têm moradia, dos que lotam os hospitais em busca de ajuda. É o grito pela vida contra a política que privilegia a compra de armas em detrimento da compra de comida.

Na semana passada o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a prioridade é a compra de fuzis e não de feijão. Essa foi mais uma tentativa do presidente de estimular a compra de armas, um projeto que está em curso desde a campanha eleitoral de 2018, quando ele já defendia o armamento da população. Bolsonaro nunca se importou se o povo se alimenta todos os dias ou não, não tem nenhum compromisso com o país.

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Os impostos sobre armas e munições foram retirados, além de serem editados decretos que tornam mais fácil o porte e a posse desses produtos no país. Enquanto o governo desonera o acesso à facilitação da violência e da morte, onera o preço dos alimentos que garantem a vida das pessoas. O feijão preto, por exemplo, alimento rico em ferro que faz parte da comida do povo brasileiro, teve um aumento de 69%, o arroz subiu 61%, entre março de 2020 e março de 2021, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Isso sem falar na carne, no frango, óleo de soja, gás de cozinha e diversos produtos que estão cada vez mais difíceis de chegar à casa e à mesa das famílias brasileiras.

É pela vida que nosso 7 de setembro será mantido. Não há um milímetro de recuo. O grupo do retrocesso e da política fascista sentirá a força da mobilização popular que estará não só no Vale do Anhangabaú, mas em diversas cidades do Brasil, gritando por emprego, democracia e por Fora Bolsonaro!

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Raimundo Bonfim

Raimundo Bonfim é advogado, coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP) e membro da coordenação nacional da Frente Brasil Popular (FBP). Iniciou a militância nos movimentos populares em 1986, na Favela Heliópolis, a maior de São Paulo

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