Paulo Freire – 100 anos: O legado do gênio há de vencer o asno assassino

O bem aplacará o mal, mas ainda assim, sempre será inconcebível e inaceitável que a luz da libertação pelo conhecimento tenha sido desprezada em nome do culto à morte e da badalação da ignorância – Por Henrique Rodrigues

Em 19 de setembro de 1921 nascia no Recife um dos maiores brasileiros de toda a história. Paulo Freire foi, e segue sendo, um dos mais revolucionários educadores já vistos pela humanidade, que com sua obra apresentou ao mundo a importância de formar indivíduos críticos capazes de rechaçar a opressão e as injustiças, que se neguem a perpetuar as incômodas e devastadoras desigualdades, mãe de todos os males onipresentes por séculos.

Fenômeno do pensamento, o pernambucano de barba longa, branca e de fala mansa detém títulos acadêmicos em 41 universidades do Brasil e do exterior e é o terceiro teórico mais citado do planeta na área das ciências humanas, com 72.359 menções em pesquisas e trabalhos científicos produzidos em instituições de ensino dos cinco continentes.

A tônica irrefutável de Freire está na autonomia. Só haverá justiça e paz quanto todos estiverem emancipados como cidadãos e deixarem de figurar como pobres viventes tutelados pela sanha exploratória dos sabujos do andar de cima. Paulo Freire é emancipação, é caminhar com os próprios pés e fazer com as próprias mãos.

Por fetiche e pura ignorância jubilosa, a reboque da onda alucinada dos canalhas assumidos e orgulhosos que tomaram o país de refém, um movimento de demonização sem qualquer lógica real plausível tem procurado demolir a grandiosidade representativa do pensamento freiriano com base em clichês estúpidos.

Temos à frente do leme nacional um completo asno de contornos sádicos e delírios assassinos, cuja capacidade de semear ódio e a mais bruta burrice formam um talento tão raro quanto o gigantismo genial de Paulo Freire e que, talvez por isso, tenha se sentido capaz de enfrentar a luz do saber, sentindo-se confiante na empreitada de fazer o mal triunfar sobre o bem.

Tenho 15 anos de sala de aula e convivo face a face com a morte do intelecto e da emancipação do indivíduo. Ainda mais triste é quando a estupidez autoinfligida encrua o professor, a bucha de canhão que por adesão ao discurso de um idiota apedeuta acaba por defender o próprio canhão.

O Brasil mergulhou no sebo do obscurantismo, mas é sabido que as trevas nunca prevalecem. A escuridão é tão frágil que até os clarões dos trovões são capazes de iluminá-la. Sejamos nós esses clarões, numa espera firme e esperançosa pelos raios de sol de um novo dia.

O bem aplacará o mal, mas ainda assim, sempre será inconcebível e inaceitável que a luz da libertação pelo conhecimento tenha sido desprezada em nome do culto à morte e da badalação da ignorância.

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Paulo Freire é um oceano de vida, um orgulho, e permanecerá sendo eterno. O néscio trocho e sua matilha azeda como vinagre passarão e serão sepultados nas valas da vergonha.

Viva Paulo Freire! Vivo!

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Henrique Rodrigues

Jornalista e professor de Literatura Brasileira.

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