O povo quer o impeachment – Por Raimundo Bonfim

Com tantos crimes contra a vida e uma política que só tem aprofundado a fome e a miséria, os protestos contra o governo se intensificam. O povo já não suporta mais o crescente desemprego e a violência praticada pelo Estado

A revelação feita por Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, e por seu irmão Luís Miranda, deputado federal, de que houve superfaturamento na compra da vacina indiana Covaxin e a mais recente denúncia envolvendo o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, que ofereceu US$ 1 por dose para empresa Davati Medical Suplly para fechar negócio com o governo brasileiro, são graves crimes que se somam a outros vários delitos cometidos por Bolsonaro na gestão desastrosa da pandemia no Brasil. As motivações do genocídio agora ganham contornos de enriquecimento às custas de muito sofrimento e da vida do povo brasileiro.

Com a revelação de que Bolsonaro foi avisado pelo servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda de que havia pressão para a compra da Covaxin, e que encontrou irregularidades nas notas fiscais do contrato, expõe-se que o presidente cometeu o crime de prevaricação ao ter conhecimento do fato e não ter pedido investigação à Polícia Federal sobre a suspeita de o valor da compra ter sido 1.000% maior do que o anunciado pelo fabricante seis meses antes. O crime de prevaricação está previsto no Código Penal Brasileiro e é grave, mas, no triste cenário de mais de 500 mil vidas levadas pela Covid-19, este delito se torna muito mais sério: é crime contra a vida, é crime contra a humanidade. É extermínio, é genocídio!

E a denúncia que vem à tona na noite desta terça-feira (29), de mais um crime de corrupção na negociação de compra de vacinas, neste caso a AstraZeneca, vendida pelo laboratório Davati Medical Suplly, deixa o país estarrecido, tamanho o desprezo pela vida humana, e extremamente indignado! Segundo o denunciante, Luiz Dominguetti, representante do laboratório Davati no Brasil, a oferta de propina foi feita em fevereiro, em um jantar regado a chope, num momento em que o país já lamentava mais de 250 mil mortos pela Covid-19. Quando se faz uma negociata dessa natureza não se leva em conta as vidas que podem ser salvas e nem o sofrimento e tristeza de familiares que podem ser evitados. Nada disso é capaz de sensibilizar essa gente.

Os recentes fatos reforçam ainda mais a necessidade urgente da saída e derrubada de todo o governo Bolsonaro. Representantes da Central de Movimentos Populares (CMP), partidos, parlamentares de esquerda, centro, direita, frentes, entidades e movimentos sociais e populares protocolam nessa quarta-feira (30) na Câmara dos Deputados, um superpedido de impeachment que unifica os 122 pedidos de afastamento do presidente, já apresentados até o momento. O pedido, que reúne mais de 700 entidades de todas as bandeiras políticas, já era forte o suficiente para tirá-lo do poder e, com as novas denúncias, ganhou ainda mais força e é muito maior, porque traz junto a pressão da sociedade e dos movimentos populares demonstrada nos dois grandes atos pelo impeachment do presidente, nos dias 29 de maio e 19 de junho. Este dia 30 de junho também é de resistência e luta nas ruas, de manifestações pelo Fora Bolsonaro, rumo aos grandes atos de 3 de julho, nova data convocada pela Campanha Nacional Fora Bolsonaro.

Cada vez maiores, os atos têm ganhado mais apoio e participação do povo, tanto presencialmente, obedecendo todos os protocolos de proteção, com uso de máscaras, álcool em gel e mantendo o distanciamento, quanto virtualmente, com a hashtag “ForaBolsonaro” atingindo o topo dos assuntos mais comentados no Twitter. Dia 3 de julho será mais um desses grandes dias de protestos, com toda segurança que o momento exige. Vamos envolver ainda mais a periferia, os movimentos populares, os trabalhadores (as) na luta pelo Fora Bolsonaro. O povo estará em luta pela derrubada deste governo genocida, fascista e corrupto que destrói as políticas públicas, aumenta o desemprego, a fome e a pobreza. 

O presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, precisa ouvir o clamor das ruas e abrir imediatamente o processo de impeachment. Não é possível que Lira fique sentado em cima de 122 pedidos de impeachment. Não é possível que não esteja ouvindo o grito que vem das ruas do Brasil e até do exterior. A recusa de Lira em instalar o processo de impeachment o torna cúmplice dos crimes cometidos, apoiando um genocida e o corrupto?

Em funcionamento há cerca de dois meses, a CPI da Covid-19 apura crimes que vão desde o estímulo ao descumprimento dos protocolos de prevenção ao coronavírus, lentidão na compra de vacinas e, agora, entra em nova fase, para apurar mais este crime de corrupção que se soma a tantos outros no histórico da família Bolsonaro, como o caso Queiroz e o depósito de R$ 89 mil na conta bancária de Michelle Bolsonaro. A denúncia de corrupção na compra da vacina Covaxin e a negociata que se tentou fazer na compra da AstraZeneca comprovam que Bolsonaro é corrupto, perde apoio, tem aumento na rejeição e cada dia está acuado e já sem condições políticas de governar.

Com tantos crimes contra a vida, com uma política que só tem aprofundado a fome e a miséria, os protestos contra o governo se intensificam. O povo já não suporta mais o crescente desemprego, a violência praticada pela política do Estado contra os pobres, o aumento desenfreado de produtos e serviços, como a tarifa de energia elétrica e os combustíveis. A insatisfação só cresce, fazendo aumentar cada vez mais a pressão nas ruas pela derrubada de todo o governo.

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A coordenação da campanha Fora Bolsonaro já havia marcado o dia 24 de julho para a realização de novos protestos no Brasil e no exterior. A data se mantém, mas diante das gravíssimas denúncias, a coordenação da campanha Fora Bolsonaro deliberou o dia 3 de julho como mais uma data para a realização de novos protestos. Teremos atos nos dias 3 de julho e 24 de julho. E virão novas datas. Não vamos sair das ruas até a derrubada do todo governo Bolsonaro!

**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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Raimundo Bonfim

Raimundo Bonfim é advogado, coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP) e membro da coordenação nacional da Frente Brasil Popular (FBP). Iniciou a militância nos movimentos populares em 1986, na Favela Heliópolis, a maior de São Paulo

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