Sem alarmismo, o Brasil pode parar até setembro

O atual momento exige muita seriedade e compromisso com o futuro do país, o que falta em excesso ao atual governo.

Na semana que entra o brasileiro começará a sentir os efeitos do coronavírus para além do noticiário. Haverá uma percepção mais clara da doença se aproximando, com pessoas próximas relatando sintomas e tendo que se isolar socialmente.

Será a primeira semana de um ciclo que pelo histórico de outros países dura entre dois e três meses se as medidas corretas forem tomadas. Em janeiro, cerca de 56 milhões de pessoas na província de de Hubei, cuja capital é Wuhan, foram submetidas a uma gigantesca quarentena forçada. Só nesta semana a China começou a debelar o vírus sem ter novos casos de contaminação comunitária. Ou seja, foram-se uns 2 meses da decisão até a vida aparentemente voltar ao normal. 

Ou seja, tudo indica que o Brasil terá um abril e maio duríssimo. Em que se as decisões governamentais forem acertadas, podem nos levar a ter um fim de semestre um pouco mais tranquilo.

Acontece que o Brasil entrará neste momento no inverno, ambiente mais propício para a proliferação do Covid 19. E há entre especialistas o receio de que ele retome novos contágios e crie um novo ciclo de infectados.

Se isso vier a acontecer e não se trata de uma hipótese alarmista, pois precisa ser considerada para que não se erre nas ações, a normalidade poderia voltar só em setembro nessas terras tupiniquins.

Não é uma boa notícia, evidentemente. Por isso mesmo precisa haver desde já um grande esforço coletivo e de todas as instâncias para evitar que isso ocorra. E ao mesmo tempo é necessário que se pense em alternativas para o caso de isso vir a ocorrer.

Há propostas razoáveis em circulação e que precisam ser adotadas. Uma fundamental é a garantia de uma renda básica de cidadania para todos que ganham até 3 salários mínimos. É uma proposta assinada por várias entidades e que custaria 20,5 bilhões por mês.

Nâo é tanto dinheiro quanto parece e teria a vantagem de injetar recursos para que a economia não viesse a parar por completo neste período vindouro.

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Se isso não vier a ocorrer o que se vai ter que fazer é gastar mais para socorrer empresas, que vão falir.

Toda a balela neoliberal não vale mais nada neste momento. Tanto que os seus propagandistas na academia e na mídia já estão dando marcha ré e pedindo mais Estado. Agora é hora de no mínimo adotar programas neokeynesianos.

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O atual momento exige muita seriedade e compromisso com o futuro do país, o que falta em excesso ao atual governo. Por isso é preciso urgentemente criar um grande Fórum de Democratas para enfrentar a crise, com propostas objetivas que sejam aprovadas pelo Congresso em tempo recorde. É isso ou o caos.

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Renato Rovai

Jornalista, mestre em Comunicação pela ECA/USP e doutor pela UFABC. Mantém o Blog do Rovai. É editor da Fórum.

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