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21 de março de 2019, 21h30

Ataques a Gilmar Mendes ganham força em grupos de WhatsApp de Bolsonaro

Slides de Power Point – aos moldes dos de Dallagnol – que circulam em grupos de bolsonaristas no Whatsapp tentam associar Gilmar Mendes a criminosos e corruptos e desqualificar sua atuação enquanto ministro; em meio ao levante de lavajatistas contra o STF, pedido de impeachment de Gilmar foi protocolado no Senado

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Ivan Longo e Renato Rovai 

Fórum teve acesso, nesta quinta-feira (21), a conversas de um grupo de apoiadores de Jair Bolsonaro no Whatsapp que mostram a gestação de um ataque nas redes contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

Bolsonaristas e apoiadores da operação Lava Jato estão em pé de guerra com o STF principalmente depois que a Corte decidiu que cabe à Justiça Eleitoral, e não à Justiça comum, julgar crimes de corrupção ligados à prática de caixa 2. Em contundentes explanações, os ministros alertaram para o fato de que os procuradores da Lava Jato vêm atuando de maneira política e que a operação acabou se transformando, na verdade, em um “projeto de poder”.

Influenciados por movimentos como o MBL, direitistas têm pedido, inclusive, o “fim” do Supremo e, em alguns casos, foram até mesmo constatadas ameaças de morte contra ministros e familiares.

Com slides de Power Point, ferramenta que se popularizou na Lava Jato a partir do fatídico episódio em que o procurador Deltan Dallagnol tentou incriminar Lula, membros do grupo de Whatsapp chamado “O Brasil ganhou” tentam associar Gilmar Mendes a criminosos e corruptos e desqualificar sua atuação enquanto ministro por, supostamente, ele agir em prol de causas político-partidárias. Os slides sugerem ainda que o ministro teria atuado para beneficiar pessoas próximas e amigos.

Grupo que está divulgando slides contra Gilmar Mendes é de apoiadores de Jair Bolsonaro (Reprodução)

Entre a “rede” de pessoas próximas que Gilmar Mendes teria beneficiado e que justificaria a “bandidagem” do ministro, os bolsonaristas citaram políticos como o ex-deputado estadual do Mato Grosso, José Riva, alvo de dezenas de ações na Justiça e que foi preso por mais de uma vez por denúncias de desvios na Assembleia Legislativa de seu estado.

Slides que associam Gilmar Mendes a políticos corruptos tentam desqualificar atuação do ministro (Reprodução)

Também foi citado no “dossiê Gilmar” o ex-governador do Mato Grosso Silval Barbosa que, durante seu governo, comprou a União de Ensino Superior de Diamantino (UNED), instituição cuja uma das sócias era Maria da Conceição Mendes, irmã do ministro.

Imagem que circula no grupo e faz parte do “dossiê” que pede o impeachment de Gilmar Mendes (Reprodução)

Para fundamentar o ataque, os apoiadores de Bolsonaro e da Lava Jato colocaram nos slides também as supostas relações entre Gilmar e o ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi, além do ex-secretário Éder Moraes. Para os lavajatistas, o ministro interferiu na Operação Ararath, que os políticos citados eram alvos.

Slides para incriminar Gilmar Mendes são aos moldes daqueles feitos por Deltan Dallagnol (Reprodução)

Pedido de impeachment

Os slides que estão circulando em grupos de Whatsapp contra Gilmar Mendes são, em boa parte, baseados no pedido de impeachment do ministro protocolado na semana passada, no Senado, pelos advogados Modesto Souza Barros Carvalhosa, Laercio Laurelli Luís e Carlos Crema.

Em 150 páginas, o pedido anexa matérias jornalísticas, investigações do Ministério Público, documentos externos e até decisões do próprio Gilmar Mendes que apontariam suposta incompatibilidade de sua conduta com o exercício de sua função.

Confira, abaixo, mais prints dos slides que têm circulado no grupo de bolsonaristas.


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