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24 de maio de 2019, 13h17

Hospital Albert Einstein deve explicações à sociedade sobre esquema Bolsonaro-Queiroz

Quem aceita pagamento em dinheiro num volume tão grande de quem está sendo investigado por corrupção e cuja investigação é de conhecimento público é no mínimo cúmplice

O Hospital Albert Einstein. Foto: Reprodução TV Globo

A notícia publicada hoje em O Globo que revela que o policial militar aposentado e ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Fabrício Queiroz, pagou os 64,6 mil reais dos custos de sua internação de nove dias no Hospital Albert Einstein em espécie não pode ser tratada como um problema apenas da família bozo e de seu ex-assessor. É também algo que diz respeito ao compliance da instituição Albert Einstein.

Uma empresa séria não aceitaria pagamento em espécie de uma pessoa politicamente exposta. E se aceitou, o mínimo que deveria ter feito era informar o banco no qual depositou esse recurso acerca da sua origem.

O Einstein tomou esses cuidados? Informou as autoridades que estão investigando o caso Queiroz sobre a forma de pagamento do suspeito assessor? Pediu para que Queiroz fizesse um depósito na sua conta corrente e transferisse os recursos para o hospital? Queiroz se negou a fazer essa operação?

Há algum tempo venho chamando a atenção para o tratamento complacente que a mídia tradicional tem tido com o Einstein nesses casos que envolvem a família Bolsonaro.

O Einstein tem se negado a passar informações básicas sobre os bolsonaros desde que o patriarca foi retirado do hospital público de Juiz de Fora e encaminhado para lá.

Neste episódio de Fabrício Queiroz, o hospital tem tido um comportamento ainda mais suspeito. Não comentou nada sobre o vídeo da festinha de réveillon dele em suas dependências e agora é flagrado nesta operação heterodoxa de pagamento.

O Ministério Público não pode deixar o hospital fora de suas investigações. A não ser que o Einstein tenha comunicado aos promotores do caso sobre a forma de pagamento.

Quem aceita pagamento em dinheiro num volume tão grande de quem está sendo investigado por corrupção e cuja investigação é de conhecimento público é no mínimo cúmplice.


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