Milos Morpha

por Cesar Castanha

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26 de janeiro de 2012, 03h45

Vigília Oscar 2012: Meia-noite em Paris


Gil (Owen Wilson) é um roteirista de Hollywood que planeja se mudar pra Paris e usar a cidade de inspiração para o seu próximo filme. Porém Inez, sua esposa, não gosta da idéia e o mantêm ocupado com passeios pela cidade com um pedante amigo do casal. Mas o que parece ser uma viagem normal traz um detalhe rotineiro extraordinário: toda meia noite o nosso protagonista é transportado direto a década de 20 e mantêm conversas e amizades com a elite artística do século passado.
E é simplesmente doce viajar com Gil ao que ele considera como sendo a idade de ouro, conversar com Hemingway, Fitzgerald, Picasso, Brunnel, Porter etc, etc, etc. É uma delícia percorrer os relacionamentos entre estes ilustres, as brigas, os dramas, os ciúmes e o sexo. O roteiro de Allen não se limita ao passado, as cenas do cotidiano presente lhe estimula a refletir sobre tudo aquilo que você aprendeu na noite passada com Salvador Dali e seus colegas surrealistas.
O longa é uma fábula com belo cenário, eventos fabulosos e uma excelente lição de moral: Muitos acham que a época anterior é superior a sua e ignoram aquilo que acontece no momento em que você vive. É o fator nostalgia. É o complexo de Gil, que vai a década de XX, é o de Adriana, que vai a Belle Époque e é o de Toulouse-Lautrec. No fim estão todos a procura de uma Era de Ouro que no fim das contas é o agora mesmo.
Owen Wilson fez o papel que em outras épocas seria do próprio Allen, e o fez muito bem. Ele e todo o resto do elenco parecem estar se divertindo muito em seus papéis. E porque não estariam? Interpretar T.S. Elliot e Cia é um sonho de carreira, e fazer isso numa comédia? Tirar sarro do próprio personagem. Além do que fazer de cada aparição uma gostosa surpresa. Como deve ser bom ser dirigido por Woody Allen.
E o filme é isso: gostoso, divertido e doce. Para se ver numa manhã de domingo e lhe deixar no rosto um sorriso que dura a semana inteira e para se deleitar com cada segundo de inusitado passado. O fato é que se filmado daqui a um século nós já sabemos quem, merecidamente, ocuparia um lugar entre ilustres do nosso presente. O velho, novo e eterno Allen.


Meia-noite em Paris recebeu 4 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Roteiro Original, Diretor e Direção de Arte.

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