domingo, 20 set 2020
Publicidade

Vigília Oscar 2012: Meia-noite em Paris


Gil (Owen Wilson) é um roteirista de Hollywood que planeja se mudar pra Paris e usar a cidade de inspiração para o seu próximo filme. Porém Inez, sua esposa, não gosta da idéia e o mantêm ocupado com passeios pela cidade com um pedante amigo do casal. Mas o que parece ser uma viagem normal traz um detalhe rotineiro extraordinário: toda meia noite o nosso protagonista é transportado direto a década de 20 e mantêm conversas e amizades com a elite artística do século passado.
E é simplesmente doce viajar com Gil ao que ele considera como sendo a idade de ouro, conversar com Hemingway, Fitzgerald, Picasso, Brunnel, Porter etc, etc, etc. É uma delícia percorrer os relacionamentos entre estes ilustres, as brigas, os dramas, os ciúmes e o sexo. O roteiro de Allen não se limita ao passado, as cenas do cotidiano presente lhe estimula a refletir sobre tudo aquilo que você aprendeu na noite passada com Salvador Dali e seus colegas surrealistas.
O longa é uma fábula com belo cenário, eventos fabulosos e uma excelente lição de moral: Muitos acham que a época anterior é superior a sua e ignoram aquilo que acontece no momento em que você vive. É o fator nostalgia. É o complexo de Gil, que vai a década de XX, é o de Adriana, que vai a Belle Époque e é o de Toulouse-Lautrec. No fim estão todos a procura de uma Era de Ouro que no fim das contas é o agora mesmo.
Owen Wilson fez o papel que em outras épocas seria do próprio Allen, e o fez muito bem. Ele e todo o resto do elenco parecem estar se divertindo muito em seus papéis. E porque não estariam? Interpretar T.S. Elliot e Cia é um sonho de carreira, e fazer isso numa comédia? Tirar sarro do próprio personagem. Além do que fazer de cada aparição uma gostosa surpresa. Como deve ser bom ser dirigido por Woody Allen.
E o filme é isso: gostoso, divertido e doce. Para se ver numa manhã de domingo e lhe deixar no rosto um sorriso que dura a semana inteira e para se deleitar com cada segundo de inusitado passado. O fato é que se filmado daqui a um século nós já sabemos quem, merecidamente, ocuparia um lugar entre ilustres do nosso presente. O velho, novo e eterno Allen.


Meia-noite em Paris recebeu 4 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Roteiro Original, Diretor e Direção de Arte.
Cesar Castanha
Cesar Castanha
Do encanto com os créditos de abertura de "Alice no País das Maravilhas", visto religiosamente sempre que exibido nas tardes de sábado pelo SBT, veio a paixão pelo cinema como experiência estética, transformadora e expressão de uma ideia, uma história ou do próprio experimento. Por amar o cinema para além dos padrões de qualidade impostos a ele pela mídia, por outras instituições e até por uma crítica datada, veio o meu amor por conversar sobre cinema, aderi-lo, defendê-lo, apropriar-me dele. O Milos Morpha é uma conversa sobre cinema. Aqui, o texto nunca é certo e definitivo. O cinema não é uma fórmula para que cada cineasta se aproxime da solução mais correta, é um conjunto de experiências artísticas que já dura mais de 100 anos, é dessa forma que criticamente percebemos e experimentamos o cinema no Milos Morpha.