sábado, 19 set 2020
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Vigília Oscar 2012: Missão Madrinha de Casamento

Não é difícil de se reconhecer na história do cinema os pontos altos da comédia. Chaplin, Irmãos Marx, Billy Wilder, Beatles, Monty Phyton e o politicamente incorreto Sacha Baron Cohen. Todos homens ou grupos de homens com uma rara presença feminina como Marilyn Monroe e a hilária Jaime Lee Curtis. Apenas nos anos 90 dois programas de TV mudaram este cenário machista. Primeiro, o sucesso comercial de Sex and the City, uma série protagonizada apenas por mulheres. O mais importante, porém, foi um programa de auditório semanal chamado Saturday Night Live. O programa existe ainda hoje e se divide em esquetes humorísticos para satirizar a política e a sociedade americana. O seu produtor, Lorne Michaels, fazia questão de que a equipe do programa não tivesse uma divisão pré concebida de homens e mulheres, entraria quem fosse engraçado. Dele surgiu um verdadeiro desfile de humor feminino com Tina Fey, Amy Poehler, Rachel Dratch e a protagonista e roteirista de Missão Madrinha de Casamento: Kristen Wiig.
E o filme pertence inteiramente a ela, que em nenhum momento decepciona. É uma comédia inteligente, de assimilação fácil, elenco afiado e, o mais importante, extremamente engraçada. É surpreendente como eles conseguiram construir um roteiro que tranforma uma já batida piada escatológica numa cena hilária. Ponto pro roteiro, ponto pro oscar por indicá-lo, ponto pra Wiig e todas as suas colegas de elenco, ponto pro público americano que soube acolher calorosamente este filme nas bilheterias e ponto pra Judd Apatow por mais um bom longa no currículo. Há muito tempo o cinema não tem um filme como esse. A visão feminina do casamento não se repete aqui da forma que se repete em todas as outras comédias-românticas. A personagem principal, embora adorável, é cínica, mesquinha e invejosa. E por isso também verdadeira. O público se identifica, compreende e fica na torcida por ela durante toda a projeção. Por tudo isso eu digo aos que ainda não perceberam: mulheres tem senso de humor sim e a prova está aí em um dos melhores filmes do ano.

Missão Madrinha de Casamento recebeu 2 indicações ao Oscar: Melhor Atriz Coadjuvante (Melissa McCarthy) e Melhor Roteiro Original
Cesar Castanha
Cesar Castanha
Do encanto com os créditos de abertura de "Alice no País das Maravilhas", visto religiosamente sempre que exibido nas tardes de sábado pelo SBT, veio a paixão pelo cinema como experiência estética, transformadora e expressão de uma ideia, uma história ou do próprio experimento. Por amar o cinema para além dos padrões de qualidade impostos a ele pela mídia, por outras instituições e até por uma crítica datada, veio o meu amor por conversar sobre cinema, aderi-lo, defendê-lo, apropriar-me dele. O Milos Morpha é uma conversa sobre cinema. Aqui, o texto nunca é certo e definitivo. O cinema não é uma fórmula para que cada cineasta se aproxime da solução mais correta, é um conjunto de experiências artísticas que já dura mais de 100 anos, é dessa forma que criticamente percebemos e experimentamos o cinema no Milos Morpha.