o colunista

por Cleber Lourenço

Fórum Educação
10 de Maio de 2020, 17h33

A política não pode ser um reality e a pandemia nos provou isso

Cleber Lourenço: "Precisamos parar de buscar heróis com a panaceia de todos os problemas. "

Foto: Alan Santos/PR

Não é novidade que, de tempos em tempos alguma celebridade ou “famoso” aparece querendo “arejar” o seu nome para cargos no executivo, é a democracia, faz parte do jogo. O problema é a mensagem que isso passa e nos tempos da tenebrosa “nova política” todo cuidado é pouco.

Trump e Bolsonaro vieram dessa brincadeira, esse pensamento antipolítico que prega cegamente que tudo que vier de fora é melhor, um erro severo que também foi repetido pela Itália, Hungria e Reino Unido.

As consequências foram severas e com o coronavírus ficou ainda mais estriduloso o descalabro que esse tipo de aventura pode desencadear em uma sociedade, não por menos destes citados, apenas a Hungria (413 mortes até o momento) não sofreu severamente com a pandemia que assola o mundo.

Começamos com Tiririca e depois disso seguimos para um festival de candidaturas incapazes como uma espécie de brincadeirinha inocente, mas que produziu resultados devastadores, no Brasil, Bolsonaro foi apenas o primeiro que conseguiu impactar negativamente todo o país, e é um dos vários que que serão ofertados de forma irresponsável por veículos de comunicação e personalidades.

Desde já devemos ter consciência de que a sociedade não pode mais brincar com sua estabilidade democrática e tampouco com o seu próprio bem-estar apenas porque está “contra tudo isto que está aí”.

Precisamos deixar a preguiça de lado, há muita gente boa dentro da própria política e que pode apresentar soluções robustas para problemas complexos e não apenas soluções simples para situações difíceis, isso não existe.

Outra lição que tiramos com o coronavírus é que não existe sociedade que se sustente de maneira sólida ou que atravesse crises de maneira minimamente organizada sem a presença do estado, por isso é fundamental que seja lançado um olhar de desconfiança em todo e qualquer membro do Estado que milite em defesa do falacioso argumento do Estado Mínimo, no Brasil falta estado! E todos os nossos problemas são oriundos dessa falta, desde o tráfico, as milícias e até mesmo a falta de distribuição de renda, as desigualdades e a corrupção.

Logo, não existe solução que passe por fora de estado e qualquer coisa diferente disso é discurso de gente com segundas intenções.

Quando os bancos quebram, quem os salva? E agora na pandemia, quando pessoas ficaram sem suas rendas e empresas perderam lucro? Foram os bancos? Não, foi o Estado, não só no Brasil como no mundo todo.

E o que a “nova política” nos trouxe até hoje? Além de selvageria, delinquência e desprezo com a vida humana? Nada.

A suposta “política tradicional” é a única forma existente de se fazer política corretamente. Acontece que o desejo de encontrar um salvador místico que resolverá todos os nossos problemas desde a eleição do Collor é maior que a racionalidade, não existe salvador.

Estamos vendo um exemplo disso no próprio ministério da saúde, onde tínhamos um ministro com o mínimo de conhecimento sobre o Sistema Único de Saúde no Brasil e do estado brasileiro e que foi substituído por um sujeito que conhece unicamente os meandros da iniciativa privada que se encontra perdido sobre que diretrizes ou caminhos tomar no combate contra a pandemia.

Precisamos parar de buscar heróis com a panaceia de todos os problemas.

Suponhamos que tenham dois grupos para a eleição de 2022, de um lado: Luciano Huck, Anitta e Roberto Justus, do outro: Alckmin, Lula, Flávio Dino e Meirelles? Quem iria presidir melhor o país? Fico com o segundo grupo.

Precisamos ter mais responsabilidades com nossas escolhas, afastar a falácia da nova política das nossas vidas e entender que só existe um modo de se fazer política ou então estaremos fadados a eleger uma leva de governantes que beiram a psicopatia pura e que fazem festa, arruaça e balbúrdia durante uma tragédia que já vitimou mais de 10 mil pessoas.

Precisamos parar de dizer “e daí” para a política.


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