sábado, 31 out 2020
Publicidade

Barroso: mais uma vez o surfista do populismo ataca

Leia na coluna de Cleber Lourenço: "Pau que bate em Chico bate em Francisco? Hoje foi o senador, e amanhã?"

Ministro do Supremo Tribunal Federal, Roberto Barroso, que no dia anterior fez um contundente voto contra decisões monocráticas no STF, hoje decidiu ir contra a vontade popular que elegeu o senador do dinheiro na cu(eca) utilizando de suas prerrogativas para proceder de maneira individual.

Historicamente, Barroso sempre foi um defensor das decisões colegiadas. Durante uma palestra, em 2016, o ministro declarou: “O Supremo está virando tribunal de cada um por si, julga monocraticamente. Criamos tribunal de decisões monocráticas porque nesse quantitativo não se dá conta”.

E, ainda, em julho desse ano, o ministro alardeou aos quatro cantos que teria um projeto para reduzir as decisões monocráticas através da redução do volume de processos.

Lembrando que, em 2018, o STF decidiu que medidas cautelares impostas pelo Supremo que impeçam o pleno exercício do mandato de parlamentares precisam ser referendadas pela casa (Senado ou Câmara).

Decisões como esta são muito ruins, especialmente quando temos militantes do Partido Lavajatista dentro do próprio STF e que seguiam pelo populismo barato e fácil das redes e ruas.

Barroso é contra o foro privilegiado e também é o mesmo ministro de uma corte constitucional que votou contra a Constituição ao defender a prisão depois da condenação em segunda instância.

Veja também: Se Moro/Deltan falhassem, o plano B seria suspender as eleições?

Barroso é um populista de primeira linha que deixa a Constituição de lado nas votações do tribunal Constitucional para dar votos e ter atitudes políticas. A decisão monocrática contra a senador Chico Rodrigues deixa isso claro.

Pau que bate em Chico bate em Francisco? Hoje foi o senador, e amanhã?

O problema não é apenas a decisão, mas também a pessoa.

Sem falar da pungente falta de decoro! Já protagonizou barracos com Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, ambos colegas de toga.

A retomada da normalização e fortalecimento do país passa também pela proibição de políticos e populistas togados que usam a Constituição apenas como trampolim e lhe agridem quando conveniente.

*Esse artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum.

Cleber Lourenço
Cleber Lourenço
Não acho que o debate politico e o jornalismo precisem distribuir informação de forma fria e distante dos leitores, notícias são somente úteis no contexto do cotidiano e é nisso que acredito. E-mail: cleber@ocolunista.com.br