o colunista

por Cleber Lourenço

O que o brasileiro pensa?
18 de maio de 2020, 21h38

Mais uma vez o governo do Brasil não sabe o que fazer com os brasileiros

Leia na coluna de Cleber Lourenço: Bolsonaro segue investindo na cisão nacional e no conflito até mesmo armado entre estados e o Palácio do Planalto

Foto: Isaac Nóbrega/PR

O Ministério da Economia e a Amazon fecharam uma parceria para que seja possível perguntar ao serviço de assistente virtual “Alexa” como tirar carteiras digitais ou acesso ao auxílio emergencial.

Um aparelho com a assistente virtual custa até R$ 699, isso de acordo com o próprio site da Amazon. Isso tudo enquanto o valor do auxilio emergencial é de R$ 600 por pessoas com limite de até 2 pessoas por família.

Mas não é só no campo civil e da economia que o governo segue desorientado. O Ministério da Saúde, agora comandado pelo general Eduardo Pazzuello, disse que o governo de Jair Bolsonaro promove “diálogo” com os demais poderes, em meio à pandemia do coronavírus.

Mas ele disse isso onde? E uma entrevista? Em seu perfil nas redes sociais? Para algum blog mentiroso apoiador do governo? Não! Ele disse isso em um pronunciamento online na Assembleia Mundial da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta segunda-feira (18).

Segue a fala do general:

“Como sabemos, o Brasil tem dimensões continentais e diferenças regionais importantes que exigem uma estratégia apropriada para cada um deles (…) Por meio do diálogo com os três níveis de governança (…) o governo federal diariamente acessa a situação de risco, apoia estados e cidades com os recursos necessários para mitigar os efeitos da pandemia”.

Uma mentira das mais descabidas. Ainda mesmo na polêmica reunião ministerial de 22 de abril, o governo federal, na figura do presidente Jair Bolsonaro, sugeriu armar população contra governadores que insistem nas medidas restritivas de isolamento social para o combate ao coronavírus.

Na semana passada mesmo Bolsonaro e Guedes lançaram uma excentricidade da política que ficou conhecida como o “AI-5” da pandemia e que tem como principal objetivo resguardar o governo federal de sua própria incompetência.

A Medida Provisória 966 livra agentes públicos de responsabilização por ação e omissão no combate à pandemia do novo coronavírus.

Logo, o general mentiu para uma organização internacional, uma esculhambação generalizada e que, cada vez mais, dinamita a credibilidade dos militares que, cada vez mais, possuem sua imagem ligada ao descalabro do governo.

Bancos

O governo que se diz preocupado com a economia também não se pronunciou sobre os pequenos empreendedores do país e dos R$ 378 bilhões liberados para salvar negócios. Apenas R$ 31 bilhões foram para micro e pequenas empresas.

Bancos que, para as câmeras, fazem “generosas” doações, nos bastidores intimidam senadores com uma nota da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) contra a proposta de projeto de lei 1328 e o projeto de lei 1166. O primeiro suspende a cobrança de parcelas do crédito consignado, durante o estado de calamidade pública. O segundo limita a taxa de juros para as operações de cartão de crédito e de cheque especial.

O grupo também é contra a elevação da tributação da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) de 20% para 50%.

Vale lembrar que os bancos do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander lucraram R$ 13,5 bilhões só no primeiro trimestre deste ano. Mesmo com a queda de 43,1% no lucro, em comparação com o mesmo período do ano anterior, o banco Itaú lucrou sozinho R$ 3,912 bilhões

Em 2019, o mesmo grupo de bancos lucrou R$ 86,4 bi, o maior lucro da história.

E assim seguimos com uma constante troca de ministros da Saúde durante uma pandemia e nenhuma ação objetiva e conjunta do governo federal com os governos regionais. Pelo contrário! Bolsonaro segue investindo na cisão nacional e no conflito até mesmo armado entre estados e o Palácio do Planalto, segundo palavras do próprio presidente.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum


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