quarta-feira, 30 set 2020
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Há um sinal que pode salvar mulheres da violência doméstica

Que o Brasil tem números preocupantes de violência doméstica nós sabemos. Assim como sabemos que não é “só” denunciar ou “só sair de casa”, especialmente durante uma pandemia.

Os números vem subindo assustadoramente desde que decretou-se o isolamento para evitar o contágio de coronavírus. Em abril, as denúncias subiram 38%, sempre considerando subnotificação. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, só em São Paulo, os feminicídios dobraram; no país todo, esse número subiu 22%. Há casos de mulheres que se jogaram da janela para fugir dos companheiros agressores.

Estar em casa é seguro pra quem? As denúncias de assédio, de abuso e de estupro caíram. Mas isso não quer dizer que a violência diminuiu, apenas que não está sendo notificada. Considerando que, de acordo com a PM, quase 70% dos estupros e abusos acontecem dentro de casa e são cometidos por um parente ou conhecido, esse dado é preocupante.

Não há disponível dados de raça ou classe, mas podemos imaginar quem sofre mais com essa violência: as mulheres negras. No momento pré-pandemia, também de acordo com dados de segurança pública, 60% das denúncias de violência eram feitas por mulheres negras.

As denúncias cresceram, mas não as soluções.

Em São Paulo, está tramitando o PL 191/2020, que torna obrigatória a implementação de protocolos de prevenção e acolhimento aos casos de violência doméstica contra mulheres e crianças durante o estado de calamidade decretado em razão da pandemia de COVID-19. Esse projeto garante que toda a mulher em perigo que tenha feito ocorrência policial tenha uma casa de acolhimento sigilosa para se abrigar.

Mas, para que haja ocorrência, é preciso que as mulheres agredidas saibam a quem recorrer. Frequentemente, e ainda mais durante essa pandemia, há mulheres praticamente em cativeiro, sem conseguir comunicar nem à família que são vítimas de violência, que dirá ligar para a polícia para fazer ocorrência. Como qualquer pessoa pode fazer denúncia de violência doméstica, há um sinal que, se popularizado, poderia salvar ao menos algumas das vítimas.

Sinal de Violência em Casa para Ajuda, ou Sinal de Ajuda, é um gesto com uma mão que pode ser usado para alertar sobre a violência doméstica e foi originalmente criado como uma ferramenta para combater o aumento de casos durante o isolamento. O sinal é realizado segurando a mão com o polegar enfiado na palma da mão e dobrando os dedos para baixo, prendendo simbolicamente o polegar nos dedos.

Esse sinal apareceu pela primeira vez no Canadá via Canadian Women’s Foundation em 14 de abril de 2020 e em 28 de abril de 2020 nos Estados Unidos pela Women’s Funding Network (WFN). Foi elogiado por fundações internacionais de combate da violência contra a mulher.

Bora difundir esse sinal no Brasil? Não vai resolver todo o problema, mas pode bem salvar algumas vidas.

Clara Averbuck
Clara Averbuck
Escritora e jornalista, autora de 9 livros.