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08 de outubro de 2019, 10h13

França se nega a assinar acordo com Mercosul e culpa governo Bolsonaro

A ministra francesa do meio ambiente declarou que não assinará o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul nas “condições atuais”

Foto: Clauber Cleber Caetano/Presidência da República

A França, por meio de sua ministra do Meio Ambiente, Elisabeth Borne, afirmou nesta terça-feira (8) que não assinará o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul nas “condições atuais”. Segundo ela, a posição brasileira sobre questões ambientais impossibilita a assinatura.

“Não podemos assinar um tratado comercial com um país que não respeita a floresta amazônica, que não respeita o tratado de Paris (do clima). A França não assinará o acordo do Mercosul nessas condições”, disse a ministra à emissora de televisão BFM.

O presidente da França, Emmanuel Macron, disse no final de agosto que havia decidido bloquear o acordo entre a União Europeia e Mercosul, acusando o presidente Jair Bolsonaro (PSL) de negligenciar as problemáticas do meio ambiente, principalmente com relação ao desmatamento e queimadas na Amazônia.

A posição da França pode dificultar a entrada em vigor do acordo comercial, negociado há 20 anos e anunciado neste ano. No momento, o texto passa por um processo de revisão que deve ser concluído 2020. Em seguida será submetido à aprovação dos parlamentos dos Estados-membros da UE, ao Parlamento Europeu e ao Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado do bloco. Um veto da França, por exemplo, pode fazer o acordo ser rejeitado.

O acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia prevê, entre outros pontos, que 92% das exportações do bloco sul-americano para os 28 países-membros do bloco europeu sejam isentadas de impostos em um período de dez anos.

Sem acordo

Enquanto isso, o ministro brasileiro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, também fracassa na sua missão de conseguir fundos europeus para a Amazônia. O ministro deixou a Alemanha esta quarta-feira (2) sem conseguir recuperar o financiamento do país europeu ao Fundo Amazônia e outros projetos de conservação.

Em agosto, Berlim suspendeu uma doação de R$ 155 milhões, como forma de represália às falas inconsequentes de Jair Bolsonaro (PSL) e sua falta de ações para conter o desmatamento na floresta.


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