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05 de dezembro de 2019, 21h49

Gabriel Monteiro diz que estava de folga quando foi à sede do PSOL e filmou funcionários

O policial militar publicou um vídeo mostrando o momento que entra na sede do PSOL sem se identificar como assessor de parlamentar do DEM

Reprodução/Twitter

O policial militar Gabriel Monteiro, cedido como assessor parlamentar do deputado estadual Filippe Poubel (DEM-RJ), publicou um vídeo nas redes sociais sobre a denúncia feita pela deputada estadual Dani Monteiro (PSOL-RJ) de que o PM teria invadido a sede do partido no Rio de Janeiro na última terça-feira (4) durante o horário do expediente da ALERJ.

Conforme a Fórum noticiou, a deputada Dani Monteiro usou o microfone a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) para denunciar a visita inusitada do policial na sede do partido no Rio de Janeiro. “O assessor parlamentar Gabriel Monteiro chegou à sede do Partido Socialismo e Liberdade com uma câmera na mão, disposto a gravar a sede e os funcionários em trabalho”, afirmou. A fala pode ser conferida aqui.

A parlamentar afirma que, por ser assessor parlamentar de outra agremiação partidária, não poderia entrar sem uma justificativa. “Ele não pode fazer isso, duplamente. Como agente da força de segurança só poderia ir lá mediante uma ordem de algo a ser investigado ou, então, ir como cidadão. Não foi o caso. […] Ele foi como uma pessoa que é hoje, cedida para trabalhar aqui”, disse.

Em resposta, o policial, que ficou conhecido como membro do MBL mas agora afirma ter se desligado do grupo, disse que o episódio não tratou-se de uma invasão e publicou um vídeo do momento em que entra no partido. Ele identifica-se apenas como “Gabriel”.

“A Revista Fórum, a mesma que foi desmascarada quando disse que eu tinha ido no enterro da menina Ágatha, acaba de MENTIR vergonhosamente. Disse que eu invadi, durante meu trabalho, (estava de folga) a sede do PSOL. Para infelicidade deles, está tudo gravado. Olhem!”, tuitou junto ao vídeo que pode ser visto abaixo.

Ao ser questionado pela deputada Dani Monteiro no plenário da ALERJ, o deputado Filippe Poubel não havia afirmado com certeza se o PM estava de folga na ocasião.

“Abordagem intimidadora”

Após a publicação do vídeo negando que tenha invadido a sede do PSOL, a deputada Dani Monteiro enviou à Fórum a seguinte nota: “A deputada Dani Monteiro fez uma queixa formal no plenário. O assessor, como falamos, retirou-se da sede do PSOL quando foi interpelado e convidado a se retirar. A deputada considerou inconveniente o fato de ele ter ido em horário de trabalho, sendo assessor parlamentar, à sede de um partido adversário. A deputada também reitera que aguarda um posicionamento da Casa sobre o ocorrido, por discordar veementemente desse tipo de abordagem intimidadora”.

Confira trecho das notas taquigráficas da ALERJ com as declarações de Poubel:

O SR. FILIPPE POUBEL – “Acho que se fosse um alerta ela me chamaria no reservado, conversaria comigo e me relataria o que havia acontecido, até porque não estou sabendo.

Falar em esculachar trabalhador, Gabriel é um trabalhador. Ele é um policial militar, ganha dois mil reais por mês e, inclusive, tem um Coronel no gabinete de vocês, o Coronel Ibis, que está processando o Gabriel, pedindo 40 mil reais de um soldado da Polícia Militar, Sr. Presidente. V.Exa. tem noção disso? Um Coronel, que deve ganhar mais de R$ 20 mil e deve ter nomeação no gabinete de um desses Deputados do PSOL, pede indenização de R$ 40 mil de um soldado da Polícia Militar, que ganha dois mil.

O Gabriel é uma pessoa maior de idade, policial militar, está cedido ao meu gabinete e responde pelos seus atos, Ele responde. Não sou babá do Gabriel Monteiro, que é adulto e responde pelos seus atos.

Se quisesse realmente que eu conversasse com o Gabriel, me chamava no reservado, me chamava no meu gabinete. Eu conversaria. Eu converso com todo mundo.

Já que V.Exa. trouxe o problema para cá, Deputada Dani Monteiro, é porque V.Exa. realmente quer explanar, quer jogar para a plateia. Agora, se ele foi lá filmar, ele é livre, tem livre-arbítrio e faz o que ele quiser. Ele filma quem ele quiser. Ele é youtuber também.

Sr. Presidente, se tivesse me chamado para conversar no reservado, V.Exa. não tenha dúvida: eu iria chamar e, se estivesse errado, iria repudiar. Agora, vir para cá jogar para a plateia, falar que ele quer esculachar trabalhador? Quem quer esculachar trabalhador é o Coronel que trabalha no gabinete deles, que está pedindo R$ 40 mil de indenização de um soldado da Polícia Militar.

Eu não entendo. Já que ele é socialista, porque o Coronel, em vez de dividir o salário dele com os soldados da Polícia Militar está querendo arrancar mais? Que socialismo é esse? Que comunismo é esse? Parem de jogar para a plateia.

Obrigado, Sr. Presidente.”

O SR. PRESIDENTE (Renato Cozzolino) – “Deputada…”

A SRA. DANI MONTEIRO − “Sr. Presidente, só para ressaltar que era no horário de trabalho na Alerj e o Deputado deve ter ciência do horário do seu assessor, liberado para trabalhar com ele. É isso que estamos cobrando. O parlamento é o espaço para a conversa. O microfone serve para isso também.”

O SR. FILIPPE POUBEL – “Presidente, quero saber qual o policial de cada um desses Deputados trabalha 24 horas por dia, a não ser em regime de escala. Se não está na escala e está de folga, ele faz o que quiser. Querem tomar conta da escala de um policial que trabalha como segurança? Pelo amor de Deus!”

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