Diretor da OMS diz que Brasil vive “tragédia” e fala em “quarta onda”

Mike Ryan fez questão de alertar o Brasil, que passa pela pior fase da pandemia desde o primeiro registro de contágio, em fevereiro de 2020; "Não acabou para ninguém e qualquer relaxamento é perigoso"

Por conta da situação dramática pela qual passa o Brasil, com nova explosão de contágios e mortes em decorrência da Covid-19, o diretor-executivo de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), Mike Ryan, citou o país em discurso feito nesta sexta-feira (26).

“Infelizmente, é uma tragédia que o Brasil esteja enfrentando isso de novo e é difícil. Esta deve ser a quarta onda que o país volta a enfrentar”, disse Ryan.

A declaração do representante da OMS vem justamente no dia em que Jair Bolsonaro voltou a pregar contra as medidas de isolamento social e um dia após o presidente sugerir que máscaras de proteção causam “efeitos colaterais”, o que vai na contramão do que dizem todos os especialistas em saúde.

Em sua fala, Ryan sequer citou o presidente brasileiro, mas lembrou do trabalho que vem sendo desenvolvido por governadores. “O Brasil é muito capaz e tem muitas instituições científicas e de saúde pública fantásticas. Acho que o país sabe o que fazer e muitos estados estão tentando aplicar as melhores medidas. Não é simples. Não é fácil”, declarou.

Segundo o diretor, a nova onda da pandemia vivida pelo Brasil servirá de “lição” para mostrar que a crise sanitária não acabou. “Qualquer relaxamento é perigoso”, alertou.

“O vírus tem muita energia. Se não houver medidas, vamos pagar preço”, completou ainda.

Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Brasil vive o pior cenário já observado durante a pandemia. As taxas de ocupação de UTIs do sistema público estão acima de 80% em 17 capitais, mas muitas cidades já enfrentam 100% de ocupação dos leitos.  Na quinta-feira (25), o país bateu o recorde de mortes registradas em um único dia: 1.582.

O médico e pesquisador Miguel Nicolelis, coordenador do Comitê Científico do Consórcio Nordeste, disse em entrevista a O Globo nesta sexta que há a possibilidade de um colapso nacional e exigiu um lockdown em todo o território nacional.

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Ivan Longo

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