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03 de fevereiro de 2020, 17h22

Carnavalescos colocam Carnaval como contraponto a “forças reacionárias”

Os responsáveis pelo desfiles de Mangueira, Tuiuti e São Clemente estão entre os que pretendem colocar o dedo na ferida na Sapucaí em 2020, que tem pelo menos 7 enredos "críticos"

Marielle viva no desfile da Mangueira, campeã do Carnaval (Repdorução)

A explosão de enredos e sambas críticos nas escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro no Carnaval de 2020 chamou a atenção de muita gente. Com alguns temas mais escrachados e outros mais sutis, pelo menos metade das agremiações vai colocar o dedo na ferida no Sambódromo nos dias 23 e 24 de fevereiro ao abordar a questão indígena, racismo, intolerância religiosa e desigualdade social.

Como destaca o historiador Luiz Antônio Simas, “o ano das escolas de samba é especial” e mobiliza as comunidades, as ruas e até as redes. “Me parece que o momento também é o de defender o carnaval, afirmar sua importância civilizatória, comunitária, original. Estimular quadras vivas, estudos, capacitação de trabalhadores, formação de novos compositores”, afirma.

Dentro do comentário feito por Simas, há um elogio especial à nova geração de carnavalescos que tem ganhado espaço nos últimos anos. Com os caminhos abertos após o êxito do estrelado Leandro Vieira, que já levou dois troféus na Estação Primeira de Mangueira nos últimos cinco anos, os novos artistas tem mostrado sua cara e abordado pautas críticas de uma maneira irônica e irreverente.

Em conversa com o podcast “Processos de Criação, do portal Carnavalize – especializado na cobertura do Maior Espetáculo da Terra -, Vieira comentou sobre esse novo tempo. “Esse é um momento que tem a ver com a figura do carnavalesco. Essa ideia de propor temáticas culturais, artísticas, debates e reflexões tem mais a ver com alguns carnavalescos que, de um modo geral, voltam a sair do ambiente acadêmico, universitário, esquerdista, e isso, inevitavelmente faz com que as pessoas tenham uma visão diferente”, declarou em conversa com os entrevistadores Leonardo Antan e Felipe Tinoco. “Eu acho que um desfile de uma escola de samba deve, quase por obrigatoriedade proporcionar reflexões”, disse ele em outro trecho.

Dois outros expoentes dessa nova geração, os carnavalescos Jorge Silveira, da São Clemente, e João Vitor Araújo, da Paraíso do Tuiuti, também comentaram sobre o momento atual. “Voltamos a viver um momento em que existe a necessidade da arte do carnaval se fazer presente”, declarou Silveira.

“Eu vejo que esse momento em que a gente vive desse retorno forte desses enredos com essa pegada é puramente um reflexo de como a sociedade brasileira tem evoluído – ou involuído, depende da perspectiva. […] Nesse momento em que a gente vê que forças ocultas de todas as partes acabam assumindo o poder em diferentes esferas e uma força reacionária que não se coloca não só sobre o Brasil, mas pelo mundo como um todo, a gente vê que a arte se coloca na posição de contraponto”, afirmou.

Araújo, que assume a Tuiuti após a escola se reafirmar na elite do carnaval com enredos críticos promovidos pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, diz que a agremiação vei seguir na linha crítica. Segundo ele, não tem como não apresentar crítica “a partir do momento que você envolve a cidade do Rio de Janeiro, que anda tão vilipendiada, tão esquecida… Na verdade a gente vive um desgoverno total, um desgoverno municipal, federal, estadual. É um momento que a gente pede ao santo socorro”.

Ouça aos episódios do Carnavalize com Leandro Vieira, João Vítor Araújo e Jorge Silveira:


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