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20 de dezembro de 2019, 22h08

“A democracia racial no Brasil é um mito”, diz Roger Machado, técnico do Bahia

O ex-jogador e atual treinador recebeu a Medalha do Mérito Farroupilha, principal honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul

Roger Machado - Foto: Divulgação

O ex-jogador e atual treinador do Esporte Clube Bahia, Roger Machado, recebeu, nesta sexta-feira (20), a Medalha do Mérito Farroupilha, principal honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Gaúcho de Porto Alegre, Roger tem se destacado por se engajar nos debates sobre racismo e preconceito no futebol brasileiro.

Em seu discurso de agradecimento, ele disse que o Brasil, como nunca editou leis segregacionistas, como Estados Unidos e África do Sul, passa a falsa impressão de que conta com uma democracia racial.

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“O Brasil fez pior: adotou um modelo que nos torna invisíveis. Um país construído com uma mão de obra escravizada, não pode ser considerado uma democracia. A democracia racial no Brasil é um mito. E o Brasil precisa parar de negar a existência do racismo se quiser, de fato, ser uma nação igualitária e democrática”, afirmou.

“Chutar a bola para dentro da rede é apenas uma parte disso. Para alguns, política e futebol não se misturam, mas não falo da política partidária, falo de política como a arte de dialogar”, destacou, recordando o que disse em outubro, durante entrevista.

“Na medida que a gente tem mais de 50% da população negra e a proporcionalidade não é igual, a gente tem que refletir e se questionar. Se não há preconceito no Brasil, por que os negros têm o nível de escolaridade menor que o dos brancos? Por que a população carcerária, 70% dela é negra? Por que quem morre são os jovens negros no Brasil? Por que os menores salários, entre negros e brancos, são para os negros?”, questionou.

Caminho sem volta

Roger deixou claro seu posicionamento em relação ao Brasil em tempos de Jair Bolsonaro.

“Recebi diversas mensagens pela coragem, mas coragem não é ausência de medo. Nesse momento pelo qual passamos no Brasil, adotar esse tipo de postura é um caminho que não tem volta”, finalizou.

A iniciativa da homenagem ao técnico foi do deputado estadual Valdeci Oliveira (PT) e contou com aprovação de todos os integrantes da Mesa Diretora do Poder Legislativo.

Com informações do Observatório da Discriminação Racial no Futebol


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