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14 de janeiro de 2020, 21h07

Casa de Papel à brasileira: Líder dos trabalhadores explica desmonte da Casa da Moeda

Em entrevista à Fórum, o presidente do Sindicato Nacional dos Moedeiros, Aluízio Junior, explicou como, desde o golpe de 2016, a Casa da Moeda vem sendo sucateada, em uma estratégia para viabilizar sua privatização, agora pretendida pelo governo Bolsonaro; assista

Foto: Agência Brasil

A Casa da Moeda Brasileira está passando por um momento delicado. Incluída no pacote de privatizações do governo Bolsonaro, a empresa pública que existe desde 1694 vem sendo sucateada e os trabalhadores, como efeito, vêm tendo seus direitos retirados pela atual diretoria.

Na última sexta-feira (10), centenas de moedeiros ocuparam a sede da Casa da Moeda no Rio de Janeiro contra o desmonte. A motivação para a mobilização foi uma entrevista que o diretor da empresa deu à GloboNews afirmando que será preciso fazer cortes de pessoal para que a empresa se modernize – já anunciando um caminho para a privatização.

“Na sexta-feira, o diretor [da Casa da Moeda] deu uma infeliz entrevista à GloboNews e falou sobre demissões, privatizações”, disse Aluízio Junior, presidente do Sindicato Nacional dos Moedeiros, em entrevista à Fórum [assista à íntegra ao fim desta matéria]. “Ele quis alegar que o problema da Casa da Moeda é que 46% do orçamento cobre a folha de pagamento, o que não é totalmente real”, pontuou.

Na entrevista, transmitida ao vivo pelo canal da Fórum no YouTube, Aluízio explicou sobre a grande quantidade de serviços que a Casa presta para a sociedade brasileira e narrou episódios que comprovam a saúde financeira histórica da instituição. “Quando teve aquele problema com a prova do ENEM, que vazou informação, na época, o presidente Lula falou que só confiava em uma gráfica para imprimir a prova do ENEM: a Casa da Moeda”, citou.

O sindicalista fez todo um retrospecto para mostrar como, em sua opinião, foi a partir do golpe que retirou Dilma Rousseff da presidência, em 2016, que a Casa da Moeda passou a ser sucateada. “A partir daí começou toda uma ação para viabilizar a privatização da Casa da Moeda e seu desmonte”, explicou Aluízio, citando uma série de medidas que retiraram a força produtiva que antes a empresa tinha.

“Era pra gente continuar lucrativo”, comentou Aluízio, mais uma vez desmentindo o discurso de falência da Casa da Moeda. Ele explicou que um dos principais motivos para que os problemas recentes tenham ocorrido foi que “o nosso principal cliente, o Banco Central, teve um corte no seu orçamento”, o que impactou no rendimento da Casa. Além disso, vários outros serviços também foram cortados e prejudicados. “Eles tiraram 60% do faturamento da empresa para vender a ideia de que essa empresa não é lucrativa, e que o peso está na folha de pagamento.”

Sobre a possibilidade de privatização, Aluízio afirmou que “o Brasil tá andando na contramão do mundo”. Segundo ele, “existem 4 ou 5 empresas no mundo capazes de produzir moeda por iniciativa privada”, que produzem apenas 11% do dinheiro do mundo. O presidente do sindicato afirmou que o que tem sido feito pelo governo é “um ato de extrema irresponsabilidade”. “A gente espera que o bom senso prevaleça no Congresso Nacional, que os nossos deputados e senadores deem um basta nessa discussão.”

“Nós temos muito orgulho de pertencer a essa empresa e não queríamos estar vivendo esse momento. Mas, se cabe a nós fazer essa defesa, vamos fazer com muita honra”, concluiu Aluízio.

Na conversa com a Fórum, o presidente do sindicato revelou ainda diversos outros importantes serviços prestados pela Casa da Moeda que vão muito além da impressão de papel moeda, passaportes e selos. Saiba mais assistindo à íntegra da entrevista.

 


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