Brasil pode ficar até duas semanas com vacinação paralisada, alerta epidemiologista

Cidades como Manaus, Rio de Janeiro e Salvador já estão com seus estoques de vacinas quase zerados

O atraso do governo de Jair Bolsonaro em fazer acordos internacionais para a compra de vacinas contra a Covid-19, bem como o desgaste diplomático do Brasil com a China, que acabou atrasando a liberação de insumos para a produção de imunizantes no país, pode custar mais caro do que já vem custando.

Em entrevista à CNN Brasil nesta sexta-feira, a epidemiologista e ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI),  Carla Domingues, alertou que o país, neste ritmo, deve registrar paralisação da vacinação em grandes cidades por até duas semanas.

“Pode ser que alguns municípios ainda tenham estoque, mas com certeza, na maioria das capitais, onde há uma grande concentração da população, e já houve um grande número de pessoas vacinadas, possivelmente poderemos ter uma paralisação [da vacinação] de uma e até duas semanas”, disse a epidemiologista.

Atualmente, o Brasil tem vacinado a população com os imunizantes do Instituto Butantan, produzido em parceira com a farmacêutica chinesa Sinovac, e com a vacina da Fundação Oswaldo Cruz, produzida em parceira com a AstraZeneca e Universidade de Oxford.

Apesar do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, ter afirmado que o governo conseguirá imunizar toda a população brasileira até o final deste ano, especialistas têm afirmado que, neste ritmo, a vacinação completa de todos os brasileiros só será concluída em 2024.

Cidades como Manaus, Rio de Janeiro e Salvador já estão com seus estoques de vacinas quase zerados e aguardam o envio de novas doses por parte do governo federal.

Na noite de quinta-feira (11), o Brasil bateu a marca de 4,5 milhões de pessoas que receberam ao menos a primeira dose dos imunizantes, o que representa apenas 2,16% da população.

Atraso no pagamento

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O Brasil perdeu a oportunidade de receber, já na próxima semana, mais 15 milhões de doses de vacinas prontas contra a Covid-19 do Instituto Sérum, na Índia. Segundo o site O Antagonista, o laboratório, credenciado a produzir o imunizante desenvolvido pela AstraZeneca e Universidade de Oxford, ofereceu o lote.

No entanto, o Ministério da Saúde atrasou o pagamento que garantiria a chegada da carga integral na semana que vem. E assim, por mais essa “falha de logística” da pasta comandada pelo general da ativa Eduardo Pazuello, o país receberá apenas 2 milhões de unidades na próxima semana.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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