quarta-feira, 30 set 2020
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Damares adere a cruzada contra filme da Netflix acusado de erotizar crianças

Alvo de críticas dos conservadores nos EUA, produção premiada entrou no radar do bolsonarismo. Plataforma nega erotização e diz que história discute pressão enfrentada por meninas na sociedade

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, declarou guerra ao filme da Netflix “Lindinhas” na última segunda-feira (14). Atendendo criticas dos bolsonaristas, ela chamou o longa, premiado no festival Sundance, de “abominável”.

“Estou brava, Brasil! Estou muito brava! É abominável uma produção como a deste filme. Meninas em posições eróticas e com roupas de dançarinas adultas”, escreveu Damares, no Facebook. “Quero deixar claro que não faremos concessões a nada que erotize ou normalize a pedofilia! Quero aproveitar e dar um recado aos pedófilos que por anos tem vindo ao Brasil abusar de nossas crianças: no Brasil existe um governo que se importa de verdade em proteger as crianças e as famílias”, completou.

No Twitter, questionada pelo influenciador bolsonarista Leandro Ruschel, a ministra voltou a prometer que vai tomar medidas contra o filme. “Não vamos ficar de braços cruzados. Deixa comigo”, respondeu.

Recém-lançado na Netflix, “Lindinhas” conta a história de Amy, uma menina de 11 anos de origem senegalesa que se muda para a França com sua família. Ela conhece um grupo de dança de garotas de sua idade, “Mignonnes” (o nome original do filme, em francês), o que não é aprovado por sua família religiosa e conservadora.

O filme passou a ser alvo de críticas na internet, em um campanha capitalizada pela direita nos Estados Unidos. Nas redes, usuários acusam a plataforma de favorecer a sexualização de menores e a “normalizar” a pedofilia, e lançaram um movimento de boicote, que pede o cancelamento de asssinaturas.

A plataforma defendeu o filme, que descreveu como “um comentário social contra a sexualização de crianças pequenas”. “É um filme premiado e uma história poderosa sobre a pressão que as meninas enfrentam nas redes sociais e da sociedade em geral à medida que crescem, e encorajamos todos que se preocupam com essas questões importantes a assistir ao filme”, afirmou a Netflix, em declaração para a Fox News.

A diretora e roteirista Maïmouna Doucouré chegou a receber ameaças de morte após a estreia do filme no catálogo. A Netflix fez uma entrevista com ela, em que conta as razões para ter feito a película.

Redação
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