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07 de fevereiro de 2020, 09h56

Folha chama impeachment de Trump de “teatro político” e diz que “comédia democrata” toma a cena

Opinião contrasta com a defesa que o jornal dez do processo de impeachment contra Dilma Rousseff, ao qual não considerou como “uma comédia tucana”, apesar de saber que Janaína Paschoal havia sido financiada pelo PSDB

Reprodução

Em editorial publicado nesta sexta-feira (7), o jornal Folha de São Paulo mostrou sua curiosa opinião a respeito do processo de impeachment contra Donald Trump nos Estados Unidos, que terminou nesta semana com o presidente republicano absolvido das acusações de abuso de poder e obstrução do Congresso em nome dos seus interesses políticos.

E são várias as curiosidades sobre a opinião da Folha, que classifica o processo como um “teatro político”. Para começar, o jornal critica a iniciativa do Partido Democrata, e chega a chamar a denúncia de “patética”, mas, ao mesmo tempo, admite que estava “bem mais documentada que a suposta interferência russa no pleito presidencial de 2016”.

Além disso, o artigo em nenhum momento se atreve a entrar no mérito da questão, e ainda admite que Trump realmente usou seu poder para pressionar o presidente da Ucrânia a investigar um adversário político. Porém, normaliza essa situação agarrada no fato de que Trump, culpado ou não, venceu a votação contra o que chamou de “comédia democrata”, graças à maioria republicana no Senado: “Como se sabia de antemão, o republicano não perderia o cargo por ter pressionado o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, a investigar o filho de seu adversário democrata Joe Biden”, afirma o editorial.

Não é a primeira vez que a Folha se atrapalha para defender um ponto de vista contraditório em um processo de impeachment. Em 2016, o jornal paulista foi um dos baluartes da defesa do processo de impeachment contra Dilma Rousseff, mesmo sabendo que a documentação daquele caso era inclusive mais frágil que do caso estadunidense este ano.

Por exemplo, a Folha sabia que o dossiê do impeachment, produzido pela advogada Janaína Paschoal foi financiado pelo PSDB, e não apresentava nenhuma prova clara de crime de responsabilidade cometido pela ex-presidenta, e que as tais pedaladas fiscais não poderiam caracterizar isso. No entanto, jamais classificaram o caso como “comédia tucana”.


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