Governo Bolsonaro dá parecer positivo para extinção da Fundação Casa de Rui Barbosa

Projeto para desmantelar uma das mais importantes instituições culturais do Brasil está em andamento desde o ano passado

O governo Jair Bolsonaro deu parecer positivo para a extinção da Fundação Casa de Rui Barbosa, uma das mais importantes instituições culturais do Brasil, em mais um ataque ao setor.

Conforme revelado em maio, o governo trabalha desde o ano passado em um projeto para desmantelar a entidade. A estratégia é transformá-la em Museu Casa de Rui Barbosa, integrado na estrutura do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), e, na prática, reduzindo as atividades.

Em resposta a um requerimento de informações protocolado pela bancada do PSOL na Câmara dos Deputados, o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, enviou aos parlamentares uma nota técnica do Ibram concluindo que “não haveria impeditivo em ser levado a cabo a proposta”.

O documento recomenda a instauração de “um processo de diálogo” com o Conselho Consultivo do Patrimônio Museológico do Ibram e com a Fundação Casa de Rui Barbosa para discutir as implicações da medida ao setor cultural brasileiro.

Em janeiro, Bolsonaro demitiu quatro pesquisadores considerados a “alma” da Fundação Casa de Rui Barbosa e colocou no comando uma afilhada política do pastor Marco Feliciano.

A entidade tem como finalidade o desenvolvimento da cultura, da pesquisa e do ensino, em especial a divulgação e o culto da obra e da vida de Rui Barbosa. Oferece espaço reservado ao trabalho intelectual, à consulta de livros e documentos e à preservação da memória nacional.

A fundação também mantém atividades relacionadas à preservação e divulgação do legado de Rui Barbosa e à formação, conservação e difusão de acervos bibliográficos, documentais e arquitetônicos, com o apoio de laboratórios técnicos.

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Ricardo Ribeiro

Correspondente da Fórum na Europa. Jornalista e pesquisador, é mestre em Jornalismo e Comunicação pela Universidade de Coimbra e doutorando em Política na Universidade de Edinburgh. Trabalhou na Folha de S.Paulo, Agora e UOL, entre 2008 e 2017, como repórter e editor.