segunda-feira, 26 out 2020
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MP-RJ ignorou possível adulteração nas gravações da portaria do condomínio de Bolsonaro

Segundo reportagem de Ana Luiza Albuquerque e Italo Nogueira, publicada nesta quinta-feira (31) na Folha de S.Paulo, o Ministério Público do Rio de Janeiro não investigou uma possível mudança nos arquivos de gravação da portaria do condomínio Vivendas da Barra, onde mora o presidente Jair Bolsonaro e o ex-PM Ronnie Lessa, acusado de ser autor dos disparos que mataram a vereadora Marielle Franco. As procuradoras do MP afirmaram que o porteiro mentiu sem verificar a integralidade dos arquivos.

A análise relâmpago feita pelo MP na quarta-feira (30), um dia após a divulgação de reportagem do Jornal Nacional que aponta possível envolvimento do presidente Jair Bolsonaro na morte de Marielle Franco, não considerou que gravações possam ter sido apagadas do arquivo da portaria. As conclusões foram tiradas com base em documento apresentado pelas procuradoras do caso à Polícia Civil.

Com base nessa apuração, a procuradora Simone Sibílio, chefe do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO), afirmou que os dois depoimentos do funcionário da portaria eram falsos. Segundo ela, quem autorizou a entrada de Élcio Queiroz no condomínio do presidente foi Ronnie Lessa, suspeito de ter feito os disparos que mataram Marielle e Anderson.

O porteiro disse em depoimento que, no dia do assassinato de Marielle, o ex-policial militar Élcio Queiroz, suspeito de envolvimento na morte, anunciou na portaria do condomínio que iria à casa do então deputado federal Jair Bolsonaro e recebeu autorização do “Seu Jair”. Ele ainda teria ligado uma segunda vez para confirmar se a autorização procedia, tendo em vista que Élcio se encaminhou para a casa de Ronnie Lessa, e ouviu como resposta que “Seu Jair” já sabia o destino de Élcio.

Procuradora bolsonarista

Nesta quinta foi revelado também que uma das responsáveis pelo caso, a promotora Carmen Eliza Bastos de Carvalho é assumidamente bolsonarista e já postou foto ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL-RJ), um dos responsáveis por quebrar a placa que fazia homenagem à vereadora.

Redação
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