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05 de fevereiro de 2020, 21h35

Netanyahu volta atrás em plano israelense para tomada de terras palestinas

Eleitores do seu partido, colonos estão furiosos com o fato de que foi prometida a anexação a curto prazo de grandes partes da Cisjordânia, e isso já não acontecerá

O golpe diplomático que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu tentou empreender há uma semana, com a ajuda de Donald Trump, já foi por água abaixo, e começa a virar uma grande dor de cabeça. Nesta quarta-feira (5), ele teve que voltar atrás em sua promessa de avançar com os assentamentos israelenses na Cisjordânia imediatamente.

No dia 28 de janeiro, ele fez um anúncio em conjunto com Trump, na Casa Branca, de um plano de paz para o Oriente Médio, visando estabilizar as relações entre Israel e Palestina. Ambos os líderes classificaram a iniciativa como “o acordo do século”. Porém, o mesmo incluía o reconhecimento por parte dos palestinos dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, e ainda definia que o congelamento da expansão desses assentamentos só aconteceria dentro de quatro anos, algo que em nenhum momento foi aceito pelos árabes.

Na prática, o principal objetivo do projeto era o reinício dessa expansão dos assentamentos, para satisfazer os colonos israleneses, a partir da aceitação do acordo pela comunidade internacional, algo que tampouco aconteceu.

Segundo o diário britânico The Guardian, a Casa Branca teria obrigado Netanyahu a frear temporariamente sua promessa aos colonos, já que nem a ANP (Autoridade Nacional Palestina) nem a Liga Árabe estão apoiando o acordo nos termos propostos até agora. Por sua parte, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, disse que apoiaria um plano apenas se este respeitasse as resoluções e o direito internacional, o que parece não ser o caso.

Diante dessa situação, Netanyahu já não sabe se poderá tomar uma decisão sobre o tema antes do dia 2 de março, que é quando acontecem as eleições legislativas que podem definir sua continuidade ou não no cargo. Nesse sentido, seu ministro da Defesa, Naftali Bennett, alertou: “o que for adiado para após as eleições, nunca acontecerá”

O advogado David Friedman, representante dos colonos nos Estados Unidos, reagiu de forma furiosa a esta mudança, e disse que “Israel não precisa esperar nada, e deve manter seu cronograma tal como diz o plano que já foi apresentado”. Já o chefe do conselho regional de colonos, Yossi Dagan, disse que Netanyahu foi enganado pelos norte-americanos: “eles o levaram ao topo do Empire State, e depois tentaram jogá-lo de lá cima”.

A irritação de ambos é um grande problema para Netanyahu, já que os colonos formam uma parte importante do eleitorado de Netanyahu, que conta com eles para a sua possível reeleição.


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