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22 de outubro de 2019, 11h22

Roque Citadini sugere a Bolsonaro mandar Paulo Guedes acalmar as coisas no Chile

“Nosso presidente deveria dar uma semana de folga ao ministro Paulo Guedes e ele deveria ir ao Chile para explicar como funciona esse sistema de capitalização na previdência”, ironizou Citadini

Foto: Reprodução TV Gazeta

Roque Citadini, presidente do Tribunal de Conta do Estado de São Paulo e conselheiro vitalício do Corinthians, usou de ironia na sua conta do Twitter, nesta segunda-feira (21), para sugerir ao presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) que mande o ministro da Economia, Paulo Guedes, “ao Chile para explicar como funciona esse sistema de capitalização na previdência. Isso poderia acalmar tudo por lá”.

“Eu acho que nosso presidente deveria dar uma semana de folga ao ministro Paulo Guedes e ele deveria ir ao Chile para explicar como funciona esse sistema de capitalização na previdência. Isso poderia acalmar tudo por lá.”

O regime de capitalização chileno

O regime de capitalização dentro da reforma da previdência, baseado no modelo chileno, é um dos projetos de Paulo Guedes. O modelo é um dos principais responsáveis pelo aumento da miséria que detonou as manifestações das últimas semanas no país. O item foi retirado do texto da proposta da Reforma da Previdência que foi aprovada na Câmara dos Deputados. Mesmo assim, Guedes e sua equipe ainda mantém a esperança de conseguirem incluir o plano que visa um maior lucro para os bancos e que obriga o trabalhador fazer uma poupança própria para garantir a sua aposentadoria.

“A Secretaria Especial de Previdência e Trabalho esclarece que vai avaliar, após a promulgação da PEC 6/2019 [proposta de emenda à Constituição que trata da reforma da Previdência], sobre a conveniência de retomar o debate da criação de um sistema de capitalização no Regime Geral de Previdência Social (RGPS), sob a orientação do Ministério da Economia”, diz uma nota do governo onde mostra a sua intenção de emplacar a medida após a promulgação do texto.

Guedes no Chile

No início da década de 1980, Paulo Guedes recebeu um convite do governo ditatorial chileno para dar aulas na Universidade do Chile – que àquela época era dirigida por um general – recebendo 10 mil dólares mensais e passagens uma vez por ano para o Brasil, mais do que recebia com todos os trabalhos de então juntos.

Isto fazia parte da política de recrutamento de liberais para o governo e para dar aulas no Chile, este último com o objetivo de combater as ideias de esquerda da CEPAL, que dominavam o cenário acadêmico no país e parte do continente até então. Isto não aconteceu apenas no Chile, apesar de este país ter sido o caso mais extremado.

Como é narrado no livro Economists in the Americas, organizado por Verónica Montecinos e John Markoff, os EUA financiaram com bolsas, empregos e passagens aéreas inúmeras universidades na América Latina para que o liberalismo se expandisse e virasse o mainstream das escolas econômicas daqueles países – o que acabou dando certo.

 

 


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