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“Terrivelmente evangélico”: Entenda por que André Mendonça foi indicado por Bolsonaro ao STF

Após meses de fritura, o ex-AGU será sabatinado nesta quarta; aprovação de seu nome é incerta

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Acontece nesta quarta-feira (01) a sabatina de André Mendonça, o “terrivelmente evangélico” indicado pelo presidente Bolsonaro para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.

Além de toda a polêmica que envolve o perfil de Mendonça, a sua sabatina se tornou uma disputa de poder entre o presidente da CCJ, Davi Alcolumbre (DEM), a quem cabe agendar a convocação, e o Palácio do Planalto.

Porém, após deixar Mendonça mais de 2 meses em banho maria, Alcolumbre perdeu apoio de aliados que o apoiavam na estratégia, que declararam que era chegada a hora de convocar Mendonça.

Mas, por que toda esta barafunda em torno do nome de André Mendonça? Sobre a sua profissão de fé, o ex-AGU já declarou que, caso tenha o seu nome aprovado, irá se pautar por valores Republicanos e laico, e não pela Bíblia.

Todavia, o seu currículo emite sinais contrários de sua declaração e mostra que sim, os valores religiosos é que devem pautar Mendonça em suas futuras decisões na Suprema Corte, isto é, se os senadores permitirem que ele adentre ao STF.

“Matar por sua fé”

Nascido em uma família humilde em Santos, no litoral paulista, e criado nas hostes do calvinismo – movimento revolucionário que consumou divergências dentro da Igreja Católica no século XVI -, Mendonça tem como objetivo levar o slogan de Bolsonaro, do “Deus Acima de Todos”, para a Suprema Corte e livrar a cara de seu benfeitor quando ele responder pelos diversos crimes que comete diariamente em seu governo.

André Mendonça mostrou ser o homem certo para Bolsonaro ao pregar a reabertura das igrejas em meio à pandemia durante sua intervenção no STF.

Verdadeiros cristãos não estão dispostos a matar por sua fé, mas estão sempre dispostos a morrer para garantir a liberdade de religião e de culto”, disse na ocasião, casando o discurso cristão com a defesa da tal “liberdade” cunhada nos porões da Ditadura e que é defendida por Bolsonaro.

Fundamentalista, o pastor presbiteriano coloca a Bíblia acima da Constituição e conta com um dos cinco pontos do Calvinismo para fazer a defesa dos crimes de Bolsonaro: a “depravação total”.

Neste ponto, também chamado de “incapacidade total”, a doutrina da graça do Calvinismo afirma que “todos os homens são concebidos no pecado, e ao nascer como filhos da ira, incapazes de qualquer bem são ou salvífico, e inclinados ao mal, mortos em pecados e escravos do pecado; e eles não querem e nem podem voltar a Deus, nem corrigir sua natureza corrompida, e nem melhorá-la por si mesmos, sem a graça do Espírito Santo, que é aquele que regenera”.

Terrivelmente Evangélico

Desde que assumiu a presidência do Brasil, Bolsonaro avisara de que indicaria uma pessoa “terrivelmente evangélica” para ocupar o STF.

A promessa não se cumpriu com o primeiro indicado, Kássio Nunes, advogado e com a missão de representar o presidente na Corte.

O “terrivelmente evangélico” se daria com André Mendonça que, mais do que apenas comungar da religião evangélica, é pastor.

No vídeo abaixo você conferir uma pregação dele.

Anti-aborto

Por mais de uma vez André Mendonça se posicionou contra o aborto e, como religioso que é, se posicionou “em defesa da vida”.

Uma dessas ocasiões foi em uma arguição feita quando era Advogado-geral da União contra a permissão da realização de aborto em caso de mulheres infectadas pelo Zika.

Defensor da prisão em segunda instância

Outra tese defendida por Mendonça é a prisão em segunda instância, tese que foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal.

A Corte entendeu que os réus só devem ser encaminhados para o sistema prisional após esgotarem todas as instâncias de defesa.

Mendonça não concorda.

Criminalização da homofobia

Quando o STF discutiu a equiparação dos crimes de ódio contra as LGBT à Lei do Racismo, Mendonça, representando a AGU, se colocou contra a matéria.

“AGU defende que a Constituição atribuiu com exclusividade ao Congresso Nacional a competência para definir a respeito da criminalização ou não da homofobia. Pede-se que se preserve a independência do Congresso Nacional para tomar essa decisão”, disse Mendonça.

Em seguida, defendeu que já existe na Lei previsão para coibir e punir atos de ódio. “Todo e qualquer cidadão, indistintamente merece a devida proteção na forma da lei, dentro dos mecanismos para tal proteção estão as ações positivas a serem prestadas pelo Estado em exercício das políticas públicas”.

Plantio da Cannabis medicinal

Mendonça assinou conjuntamente uma nota emitida pelo Ministério da Justiça contrária a lei a um projeto de lei que visa legalizar o cultivo de cannabis para fins medicinais.

“Se, em nosso país, mesmo programas sociais com recursos por beneficiários modestos possuem percentuais significativos de fraude, imagine-se a legalização de empresas e associações que podem ter suas atividades interseccionadas com o segundo maior mercado ilítico mundial”, disse a nota que contou a assinatura de Mendonça.

Topete

E André Mendonça se preparou para a sabatina que ocorre hoje no Senado, e não apenas sobre as possíveis questões que devem ser feitas hoje, mas em sua estética.

No começo de novembro, Mendonça ressurgiu com um topete lustroso fruto de um implante capilar.

Como se vê, além de “terrivelmente evangélico”, Mendonça também é “terrivelmente vaidoso”.

André Mendonça exibe novo cabelo durante evento jurídico/ Foto: reprodução redes sociais

Este post foi modificado pela última vez em 1 dez 2021 - 09:16 09:16

Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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