Áurea Carolina (PSOL) revela que Daniel Silveira disse antes do vídeo que “queria ser outra pessoa”

Ele ainda teria dito à deputada que tinha um irmão gay e amigos homossexuais e estava cansado da polarização política

A deputada federal Áurea Carolina (PSOL-MG) revelou neste sábado (20) em seu Twitter que o bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ) disse a ela no passado que estava cansado da polarização política e que queria ser outra pessoa.

A conversa foi antes do vídeo com ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e elogios ao AI-5 que o levaram à prisão.

A parlamentar tinha contado a conversa no ano passado em um texto publicado no site Nexo, mas ela não havia revelado, na ocasião, que seu interlocutor era o parlamentar agora preso. Ele teria falado a ela que tem um irmão e amigos homossexuais.

Áurea afirmou ainda que Silveira havia lhe dito que se arrependia de uma cena de violência que tinha protagonizado. Neste sábado, ela revelou que esse episódio foi a quebra da placa com o nome da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), assassinada em março de 2018.

A deputada conta que então, o questionou: por que você não se retrata publicamente e mostra sua verdadeira posição, mudando desde já? A resposta foi que ele não podia fazer isso, pois “seu eleitorado não o perdoaria”. Na visão de Áurea, o deputado, “entorpecido, recorria à autojustificação covarde que alimenta o círculo vicioso da violência”.

Áurea Carolina, em sua publicação deste sábado, conta que ficou muito impactada com a consciência que Silveira tinha dos seus atos. E, então, compreendeu que a covardia é uma conduta que sustenta o bolsonarismo. “Vendo ontem sua patética defesa, com a repetição do discurso arrependido, o padrão foi confirmado”, afirmou ela.

A psolista encerrou seu raciocínio dizendo que, “quando convém, fascistas amenizam o tom, escolhem bem as palavras, tentam se passar por cordiais e razoáveis”. Ela alerta que eles não são agentes passionais, mas sim que calculam seus movimentos. “É importante lembrar disso, porque o bolsonarismo é um projeto racional que sempre passa pela manipulação dos afetos”, finalizou.

Veja a publicação.

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.

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