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04 de julho de 2018, 12h31

Auxiliar diz que ex-secretário de Alckmin que está preso a mandou destruir documentos

Tatiana foi voluntariamente à Polícia Federal contar sobre a ordem que teria recebido de Casagrande para triturar documentos

De acordo com depoimento da secretária Tatiana Mendes Campos à Polícia Federal, o ex-secretário de Logística e Transportes do governo de Geraldo Alckmin (PSDB), Laurence Casagrande, mandou triturar documentos dentro do órgão público quando estava no cargo.

Casagrande, que também foi ex-presidente da Dersa, foi preso com outros investigados no último dia 21. Ele é suspeito de ter atuado num esquema que resultou no superfaturamento de cerca de R$ 600 milhões na obra do Rodoanel Norte, segundo o TCU.

Tatiana foi voluntariamente à Polícia Federal contar sobre a ordem que teria recebido de Casagrande para triturar documentos. Ele diz que executou a tarefa junto com outra secretária, Valdineia Pavani.

De acordo com o documento sigiloso da PF obtido pela Folha, Tatiana disse: “Que os documentos a serem destruídos pela depoente e Valdineia foram separados pelo próprio Laurence e entregues à depoente em sua sala; que seguindo a ordem superior efetivou a destruição de todos os documentos sem saber o seu conteúdo, como de praxe”.

O relato da secretária foi um dos motivos apresentados pela juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Federal Criminal de SP, para decretar a prisão por tempo indeterminado do ex-secretário.

A defesa de Casagrande disse que seu cliente nunca destruiu provas, mas papéis sem valor. Segundo o advogado Eduardo Carnelós, quando Casagrande deu a ordem de destruição, em 12 de dezembro de 2017, ele não sabia que era investigado.

Ele afirma ainda que a outra secretária, Valdineia, mais graduada, disse à PF que os papéis não tinham mais utilidade alguma. “Todo executivo tem uma trituradora. Ele destruiu papéis que deveriam ser fragmentados.”

Paulo Preto

O Rodoanel é o calcanhar de aquiles de praticamente todos os governos tucanos de São Paulo. O ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, considerado o principal operador do PSDB, é alvo de denúncia por desvio de R$ 7,7 milhões, entre 2009 e 2011, durante o governo de José Serra (PSDB). O ex-diretor da Dersa foi acusado de incluir 1,8 mil falsos beneficiários de desapropriações em função das obras do trecho Sul do Rodoanel, da Avenida Jacu-Pêssego e das obras de ampliação da Marginal Tietê.

Paulo Preto foi preso recentemente duas vezes pela Polícia Federal e acabou solto, nas duas vezes, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. A delaçãodo operador tucano é considerada explosiva, pois pode vir a incriminar Alckmin, Serra e Aloysio Nunes, entre outros envolvidos. Tem, portanto, munição suficiente para acabar com o PSDB de São Paulo.

Só nas contas de Suíça de Paulo Preto foram encontrados 121 milhões de reais (https://www1.folha.uol.com.br/amp/poder/2018/05/suica-aponta-depositos-numerosos-em-contas-de-paulo-preto-na-gestao-serra.shtml).

Trecho Norte

Desta vez, as investigações se voltam para o Trecho Norte e apontam suposta prática de corrupção, organização criminosa, fraude à licitação, crime contra a ordem econômica e de desvio de verbas públicas. As obras contaram com recursos da União, do governo do estado de São Paulo e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e foram fiscalizadas pela DERSA.

A investigação começou em 2016 quando um engenheiro que cuidava do trecho norte se recusou a assinar aditivos do contrato de construção do trecho.

As obras do trecho norte do rodoanel são divididas em seis lotes, tiveram início em 2013 e ainda estão em andamento. Nelas foram encontrados indícios de irregularidades. Só no lote 2, analisado pelo TCU, as irregularidades somam R$ 110 milhões.

Com informações da Folha

 


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