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13 de janeiro de 2020, 18h56

Bolsonaro faz “pesquisa de opinão” sobre atletas trans e recebe enxurrada de críticas

O presidente tentou conseguir apoios para embarcar em mais uma pauta de costumes - criminalizando atletas trans -, mas não levou a melhor

Foto: Rafael Carvalho/Governo de Transição

O presidente Jair Bolsonaro resolveu tentar polemizar nesta segunda-feira (13) em mais uma pauta que envolve costumes em suas redes sociais, mas foi respondido com críticas de diversos usuários que cobraram que o ex-capitão dedique seu esforços a assuntos de interesse nacional.

“Qual a sua opinião”, tuitou o presidente ao compartilhar print de uma postagem que diz que “5 estados americanos concordam em proibir que transexuais compitam contra mulheres atletas”. A chamada, no entanto, é exagerada, tendo em vista que segundo o Wall Street Journal – usado como referência pela site que fez a publicação – o que existe são apenas rascunhos de projetos de lei estudados por parlamentares republicanos de New Hampshire, Washington, Georgia, Tennessee e Missouri.

No Brasil, parlamentares da Bancada Evangélica também pretendem restringir o acesso de pessoas trans a competições esportivas. Dois projetos tramitam na Câmara dos Deputados e buscam estabelecer o sexo biológico como critério exclusivo para a definição de gênero de participantes de competições esportivas oficiais.

A questão levantada por Bolsonaro, no entanto, não foi o assunto principal das respostas. Diversos usuários aproveitaram o questionamento e soltaram o verbo contra o presidente – o comentário mais comum foi “você não tem mais o que fazer?”. Pedidos de renúncia do ex-capitão e comentários sobre o distanciamento entre ele e Moro também foram feitos.

O jornalista João Paulo Charleaux, do Nexo, ainda usou critérios técnicos para criticar a “notícia” compartilhada por Bolsonaro. “Minha opinião é que não se começa título com numeral nem se escreve título que não caiba no espaçamento”, disse.

O professor de Direito da Universidade Federal de São Paulo, Renan Quinalha, lembrou da decisão do STF que enquadrou LGBTfobia como crime. “Na minha opinião, que é a mesma do STF em julgamento de 2019, praticar ou incitar discriminação ou preconceito por orientação sexual ou identidade de gênero é CRIME. Assim, diferenciações injustificadas, excluindo pessoas trans de esportes, podem ser LGTfobia e, portanto, crime”, declarou.


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