Ao lado de Guedes, Bolsonaro diz que haverá novo aumento no preço dos combustíveis

Presidente negou interferência na Petrobras e afirmou que sabe que auxílio de R$ 400 a caminhoneiros "é pouco"

Apesar do preço exorbitante dos combustíveis – a gasolina chegou a um valor médio de R$ 6,321 nos últimos dias – o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) disse neste domingo (24), ao sair de evento junto ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que o brasileiro precisará desembolsar ainda mais a partir de amanhã.

“Alguns querem que a gente interfira no preço. A gente não vai interferir no preço de nada. Já foi feito no passado e não deu certo. Infelizmente, pelo número do preço do petróleo lá fora e do dólar aqui dentro, nos próximos dias, a partir de amanhã, infelizmente, teremos reajustes nos combustíveis”, declarou.

Em situação cada vez mais difícil e agora refém de uma ameaça de greve por parte dos caminhoneiros, que até pouco tempo eram aliados de primeira hora, o presidente disse na última quinta-feira (21) que pagará uma espécie de auxílio-diesel para 750 mil trabalhadores autônomos da categoria.

A princípio, o valor será de R$ 400 por mês, o que não agradou a categoria. Com o aumento prometido para amanhã, os caminhoneiros devem ficar ainda mais insatisfeitos com o presidente.

“Prevendo isso [aumento dos preços], se antevendo a isso, nós discutimos bastante um auxílio ao caminhoneiro. Sabemos que é pouco, R$ 400 por mês, é pouco, mas estamos fazendo isso no limite da responsabilidade fiscal”, afirmou.

Bolsonaro diz que discute “solução” para a Petrobras

Bolsonaro disse, ainda, que discute uma solução para a Petrobras, já que não tem “poder de interferir” na estatal. Guedes, por sua vez, considerou a empresa “um veneno que pode virar vacina” se o monopólio das estatais for quebrado no Brasil.

“Cada vez que o petróleo sobe, o combustível sobe, ela tem um resultado melhor. Se nós levarmos a Petrobras para um novo mercado, por exemplo, que é o que está acontecendo com a Eletrobras, vocês não tenham dúvidas, problemas de crise hídrica, crise de combustível, tudo isso, foram de monopólios estatais por 30 ou 40 anos. Nós estamos andando nessa direção”, afirmou.

“Estamos fazendo Eletrobras, fazendo Correios, e eu estou propondo inclusive isso: vamos transformar esse veneno em uma vacina. É igual a soro antiofídico”, continuou. 

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Carolina Fortes

Repórter colaborativa no site Emerge Mag e antiga editora-assistente no site da Jovem Pan. Ex-repórter no site Elástica. Formada em jornalismo e faz a segunda graduação em Letras na Universidade de São Paulo (USP). Acredita no jornalismo como forma de impacto social e defende maior inclusão e representatividade.

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