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20 de janeiro de 2020, 19h48

Culpada por Weintraub pelos erros no Enem, gráfica teria sido favorecida em licitação do Inep

A empresa Valid Soluções S.A. foi a responsável pela impressão e, segundo denúncias de funcionários do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), houve favorecimento na escolha

Arquivo/Agência Brasil

“Aparentemente não foi uma coisa de má fé, foi um acidente, coisa que acontece. Não depende da minha avaliação. A gente vai ver legalmente o que acontece”, foi o que disse nesta segunda-feira (20) o ministro da Educação, Abraham Weintraub, ao comentar sobre as falhas na prova do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). A empresa Valid Soluções S.A. foi a responsável pela impressão e, segundo denúncias de funcionários do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), houve favorecimento na escolha.

A relação da Valid com o Inep teria começou formalmente em abril de 2019, com a falência da empresa RR Donnelley. A Donnelley era a responsável pela impressão do Enem desde 2009 e teve a falência pedida naquele mês. Segundo denúncia enviada à Polícia Federal (PF) obtida pelo Jornal O Globo, “dois servidores do Inep teriam atuado com a Valid para garantir que a empresa passaria por todas as diligências necessárias no processo de seleção pública, como a inspeção de segurança e de produção, feitas em março”.

Com o fim da Donnelley, a Valid foi escolhida sem licitação. Segundo o MEC não havia tempo para um novo edital e a empresa que ficou em segundo lugar em 2016 foi convocada após a realização de um pregão de preços, também em abril, para o contrato de cerca de R$ 143 milhões com o Inep.

Segundo a gráfica Plural, que perdeu a disputa, a Valid contratou servidores da Donnelley e maquiou seu maquinário com o objetivo de ser convocada. Eles apontam um direcionamento na escolha.

Funcionários da ex-gráfica do ENEM ainda relataram ao Estado de S. Paulo em abril que não havia indícios de falência na empresa. Salários e benefícios sempre saíram em dia e a participação nos lucros também era distribuída.

Mais 60 mil estudantes prejudicados

Segundo levantamento do Estado de S. Paulo, mais de 60 mil estudantes entraram com pedido para recorreção da prova do Enem, um número dez vezes maior do que havia sido anunciado pelo ministro Abraham Weintraub. O ministro disse que “o impacto é baixo e não vai ter nenhum efeito para a maioria das pessoas”.

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