“Dá para desconfiar até da sanidade mental”, diz Santos Cruz sobre comportamento de Bolsonaro

Ex-ministro chamou de “idiotice” a declaração do presidente de que “quem decide se um povo vai viver numa democracia ou numa ditadura são as suas Forças Armadas”

Ex-ministro da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz voltou a fazer duras críticas ao presidente. O militar diverge frontalmente da maneira como o Executivo enfrenta a pandemia do coronavírus e da politização das Forças Armadas.

Para Santos Cruz, Bolsonaro dá razões para que se duvide de sua “sanidade mental” e classificou como “idiotice” a declaração de que “quem decide se um povo vai viver numa democracia ou numa ditadura são as suas Forças Armadas”.

“Isso aí é um devaneio completo. Falta de responsabilidade total, não tem cabimento querer envolver Forças Armadas em aventura política pessoal. Isso não é estratégia nenhuma, idiotice não é estratégia. Você não pode classificar como estratégia um negócio sem pé nem cabeça”, declarou o militar, em entrevista a Lauriberto Pompeu, no Congresso em Foco.

Em relação à compra da CoronaVac, Santos Cruz também foi contundente. “Não tem coerência nenhuma, dá para desconfiar até da sanidade mental. Não é possível você falar uma coisa e fazer outra. Falar que não ia comprar, agora comprou o lote inteiro porque é a única vacina que nós temos. É um show de incoerência, de falta de condições mínimas para gerenciar uma crise”, criticou.

“Tudo ao contrário”

“É difícil até qualificar porque é completamente sem qualificação aquilo que fala, aquilo que faz. Quando todo mundo está cuidando, usando máscara, tem os governadores, prefeitos, a própria Justiça fazendo as recomendações de manter um distanciamento social e a autoridade máxima faz tudo ao contrário”, acrescentou.

O ex-ministro afirmou, ainda, que Bolsonaro age para confundir a população. “Não tem cabimento isso, não tem sentido, falar em tratamento precoce e o chefe da Anvisa vai lá e diz que não tem tratamento precoce. Se você acha que tem e você é o governo, você tem que oficialmente alertar a população. Não tem orientação nenhuma, muito pelo contrário, só para confundir a população. Isso aí é uma irresponsabilidade concreta”.

Golpe

No início deste ano, o general havia declarado que, apesar de não ver risco de um golpe no Brasil em 2022, é preciso fazer um “trabalho preventivo” para evitar tal tentativa.

A respeito de um eventual apoio das Forças Armadas a um golpe, Santos Cruz disse que “são profissionais” e “não dão suporte a aventureiro”. Porém, alertou sobre os grupos que orbitam em torno de Bolsonaro e acredita que disseminadores de fake new e discurso de ódio devem ser punidos.

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Lucas Vasques

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