Genoíno: “ao invés de destruir estátuas, devíamos construir as dos nossos líderes”

O ex-deputado fez ainda uma autocrítica por ter acreditado que as instituições, a burguesia e a imprensa brasileiras eram democráticas: “quebrei a cara”

O ex-deputado federal José Genoíno (PT-SP) fez críticas à quebra de estátuas, durante participação no programa Fórum Onze e Meia, na manhã desta terça-feira (27). “Com relação à essa história de quebrar estátuas, o que eu acho que falta na história do Brasil é a defesa do outro lado, a defesa dos símbolos da resistência”, afirmou.

Para Genoíno, é preciso defender a memória “dos trabalhadores, da luta contra o racismo, da luta das mulheres, dos anarquistas que lutaram aqui em São Paulo, dos que lutaram na época do Império, da Colônia, da República. Temos que mostrar a pluralidade da história em todos os sentidos. Eu não me mobilizo para queimar essa ou aquela estátua. Eu quero que mais estátuas apareçam que reflitam a história da pluralidade da luta brasileira”.

O ex-deputado lembrou também que “muitos companheiros da resistência armada continuam desaparecidos. Muitas mulheres continuam desaparecidas. Isso é memória e a memória é transformadora, no sentido positivo e no negativo. A memória é subversiva pro presente e pro futuro”.

Frentes e alianças

Já sobre as frentes e alianças políticas que devem ou não ser feitas, Genoíno afirmou entender que “a esquerda tem que ter um projeto próprio, um projeto alternativo de país. Por exemplo, eu não vou fazer aliança com os neoliberais que defendem privatização, independência do Banco Central, teto de gastos porque não dá”.

Ele defende, no entanto, que alianças pontuais podem ser feitas. “Eu não vou fazer aliança com a direita gourmet, que deu o golpe e agora tá com vergonha. Pode ser uma aliança episódica. Nos temos que ganhar pra fazer transformações, sem compromissos programáticos. Frente é algo permanente e aliança é algo provisório. Em vez de ter apoiado o Rodrigo Pacheco no Senado, a esquerda tem que marcar a sua posição e, a partir daí, acumular forças”.

De acordo com ele, é preciso olhar os próprios erros para derrotar Bolsonaro. “Eu vivi intensamente a experiência do PT. Quando eu era estrela do Congresso Nacional, eu achava que a burguesia brasileira era democrática. Quebrei a cara. Achava que as instituições do Estado eram republicanas. Quebrei a cara. Achava que o espaço na mídia era interessante. Quando eu virei presidente do PT, virei alvo deles com bala dundum, aquela que entra e explode dentro”. Genoíno disse ainda: “eu achava que a institucionalidade brasileira era suficiente. Não, eu errei. Tive limitações, incompreensões. E eu tô fazendo essa prestação de contas do ponto de vista das lições para o futuro, que é a esperança. O retrovisor é a lição”, completou.

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.

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