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02 de fevereiro de 2020, 10h17

IstoÉ crava Allan Santos na Secom no lugar de Wajngarten

O blogueiro, apontado com um dos principais difusores de fake news da milícia virtual bolsonarista, no entanto, nega

Allan dos Santos e Eduardo Bolsonaro (Foto: Agência Câmara)

A revista IstoÉ, em matéria publicada no sábado (1), cravou que o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, responsável pelo site Terça Livre, assumirá o lugar de Fabio Wajngarten na Secretaria de Comunicação (Secom), que estaria sob o risco de ser demitido por conta das denúncias de corrupção que pesam contra ele.

A matéria diz ainda que Allan dos Santos já vem recebendo um bom dinheiro da Secom. “Apadrinhado por Carlos Bolsonaro, o Carluxo, Allan está lucrando alto por esse apoio. Na edição da semana passada, ISTOÉ mostrou que o blogueiro recebe R$ 100 mil da Secom para defender o presidente. Ele negou, mas esta coluna apurou que Allan está se dando muito bem. Acaba de alugar uma mansão no Lago Sul de Brasília, na chiquérrima SHIS, Qi 19, usada também em algumas transmissões de seu blog. Corretores de imóveis dizem que o aluguel de uma casa nessa rua custa de R$ 10 mil a R$ 30 mil”, diz o texto.

O blogueiro, no entanto, nega que existam planos para que Wajngarten seja demitido e ele assuma a pasta. “O presidente Jair Bolsonaro NUNCA falou disso comigo. O secretário Fabio Wajngarten NÃO vai sair e EU NUNCA quis isso. É uma mentira sem pé, nem cabeça. O jornalismo brasileiro virou fofoca por não ter fontes primárias”, escreveu neste sábado em seu Twitter.

Allan dos Santos é alvo do inquérito 4781 no Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga a rede de propagação de fake news e ameaças recebidas por membros da Corte. A investigação foi instaurada a pedido do presidente do STF, Dias Toffoli, e é relatada por Alexandre de Moraes.

Em depoimentos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, o blogueiro foi acusado por ex-aliados, como Joice Hasselmann (PSL-SP) e Alexandre Frota (PSDB-SP), de ser um dos comandantes da milícia virtual que atua propagando fake news pró-Bolsonaro desde os tempos da eleição presidencial.

Corrupção na Secom 

A bancada do PT na Câmara dos Deputados anunciou na quinta-feira (16) que vai recorrer à Comissão de Ética Pública da Presidência da República (CEP) para que sejam apuradas as denúncias sobre suposto esquema de corrupção montado pelo chefe da Secom, Fabio Wajngarten.

A FW, empresa pertencente a Wajngarten que oferece ao mercado um serviço conhecido como Controle da Concorrência, é o centro do escândalo que estourou no governo envolvendo o secretário. A empresa tem contratos com ao menos cinco empresas que recebem do governo, entre elas a Band e a Record, cujas participações na verba publicitária da Secom vêm crescendo.

O negócio, além de antiético, é ilegal. A legislação proíbe que integrantes da cúpula do governo mantenham transações comerciais com pessoas físicas ou jurídicas que possam ser afetadas por suas decisões. A prática implica conflito de interesses e pode configurar ato de improbidade administrativa, demonstrado o benefício indevido. Entre as penalidades previstas está a demissão do agente público.

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