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04 de julho de 2019, 19h42

Lula acredita que escândalo de 39kg de cocaína envolve mais militares

Em entrevista, Lula criticou a atuação de Moro à frente do Ministério da Justiça e cobrou investigação no caso do avião

Lula (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Em entrevista ao portal Sul 21, o ex-presidente Lula comentou sobre o caso do sargento que traficava 39 kg de cocaína em avião da FAB que fazia parte da comitiva presidencial. Para ele, Bolsonaro pode não estar envolvido, mas também não tem como limitar a questão ao sargento e Moro tem o papel de cobrar investigação.

“A base aérea onde fica o avião presidencial, seja em Brasília, no aeroporto de Congonhas, em Cumbica ou no Rio de Janeiro, é controlada pelos militares. O avião normalmente é comandado por militares. Como é que esse rapaz conseguiu entrar com uma mala com 39 quilos de cocaína sem que ninguém percebesse? Ele chegou por último? Entrou com a mala na mão e colocou lá dentro? Não é possível. A impressão que tenho é que querem jogar toda a culpa no sargento, mas ele não fez isso sozinho. Qual é o esquema que está por trás dele? Quem facilitou? Quem seria o dono e quem seria o receptor? O povo brasileiro precisa de respostas”, questionou Lula.

O ex-presidente evitou culpabilizar Jair Bolsonaro, mas criticou o papel de Sérgio Moro e da Polícia Federal na investigação do caso. “Não acredito que o atual presidente da República soubesse de alguma coisa porque a gente não sabe direito nem quem vai na parte de trás do avião. Tem o chefe do cerimonial que cuida dos civis e tem os militares. Alguém sabe como é que esse cidadão embarcou.  Investigar isso é papel do Moro e da Polícia Federal, não do general Heleno. Mas eles não estão achando nem o Queiroz…”, declarou.

Lula ainda comentou sobre o protocolo adotado nas viagens presidenciais feitas por ele e por Dilma Rousseff e coordenadas pelo coronel Joseli, atual ministro do Supremo Tribunal Militar. “Há uma sala de embarque por onde normalmente entra o presidente da República, a sua esposa e o ajudante de ordens. Há outra sala para os ministros e para todas as outras pessoas que acompanham a viagem. Todos eles têm que chegar antes do presidente nesta sala e as malas deles já chegaram três ou quatro horas antes para serem embarcadas”, relatou.

O ex-presidente ainda relembrou o caso helicoca, com um helicóptero com 400 kg de cocaína encontrado na fazenda do senador Zezé Perella e comparou a atuação de Moro no caso Queiroz com a atuação contra ele. “Esse mesmo ministro, quando juiz teve a pachorra de mandar a Polícia Federal na minha casa pra pegar a minha família inteira, agora não consegue achar o Queiroz? Até agora não sabe também como um vizinho do Bolsonaro tinha 100 rifles em casa. Um contrabandista, ligado às  milícias e ao Queiroz…Ora, meu deus do céu. Até quando vai se mentir para a sociedade?”, disse.


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