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22 de setembro de 2019, 22h03

Maia e Moro trocam farpas por projeto anticrime após assassinato da menina Agatha

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, criticou o excludente de ilicitude previsto no pacote anticrime do ministro Sérgio Moro ao comentar sobre a morte da menina Agatha, de 8 anos

Reprodução/Facebook

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, decidiu romper o silêncio neste domingo (22) sobre o assassinato da menina Agatha Félix, de 8 anos, para rebater um comentário feito pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Ao lamentar a morte da criança – causada por um tiro de fuzil da Polícia Militar -, o deputado criticou o pacote anticrime do ministro, que, segundo críticos, prevê “licença para matar”.

“Qualquer pai e mãe consegue se imaginar no lugar da família da Ágatha e sabe o tamanho dessa dor. Expresso minha solidariedade aos familiares sabendo que não há palavra que diminua tamanho sofrimento. É por isso que defendo uma avaliação muito cuidadosa e criteriosa sobre o excludente de ilicitude que está em discussão no Parlamento”, publicou Maia em sua conta no Twitter.

Cerca de 4 horas depois, Moro foi à rede social defender seu projeto, que tem recebido duras críticas de ativistas dos direitos humanos. “Lamentável e trágica a morte da menina Agatha. Já me manifestei oficialmente. Os fatos têm que ser apurados. Não há nenhuma relação possível do fato com a proposta de legítima defesa constante no projeto anticrime. Deputado Felipe Francischini [PSL-PR] tem razão e agradeço pelo apoio”, declarou o ministro pouco depois de soltar uma nota oficial à imprensa.

O projeto, principal iniciativa de Moro, tem gerado atritos desde o início do ano entre o congressista e o ministro. O ex-juiz federal queria uma tramitação rápida, que não foi garantida por Maia. O deputado propôs a fusão do projeto de Moro com o apresentado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, ex-ministro da Justiça.

Repercussão do caso

O assassinato de Agatha ganhou grande repercussão. No sábado, diversas pessoas foram a manifestações. Além dos atos realizados no Complexo do Alemão, a hashtag #ACulpaEDoWitzel ganhou destaque nas redes sociais e uma manifestação em frente à ALERJ foi convocada para a próxima segunda-feira. Além disso, o candidato à presidência pelo PT em 2018, Fernando Haddad, chegou a pedir o impeachment do governador, que ele chamou de assassino. O presidente Jair Bolsonaro segue calado.


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