Oxigênio: enquanto era ajudado pela “inimiga” Venezuela, Brasil foi ignorado pelos “amigos” dos EUA

Na mesma semana em que o governo de Nicolás Maduro enviou cilindros para Manaus, Washington fez vista grossa a vários pedidos do Brasil, inclusive durante os últimos dias de mandato de Trump, que atuou para indultar Bannon mas não para ajudar Bolsonaro

A notícia de que o Amazonas recebeu cilindros de oxigênio da Venezuela não é nova, tanto que o país, “inimigo” do governo de Jair Bolsonaro, já enviou três remessas à capital do Estado nos últimos nove dias.

O que não se sabia, e se descobriu apenas nesta terça-feira (26) é que os supostos “amigos” dos Estados Unidos ignoraram diversos pedidos do Brasil no mesmo período. Segundo matéria da Folha de São Paulo, o Itamaraty vem tentando iniciar as negociações pelo oxigênio estadunidense desde o dia 17 de janeiro. A resposta não foi um sim, nem um não… na verdade não foi nenhuma, segundo o jornal paulistano.

A matéria também afirma que o chanceler brasileiro Ernesto Araújo fez outros pedidos: por exemplo, solicitou que os Estados Unidos emprestassem alguns dos seus aviões para levar o oxigênio até Manaus, para evitar um gasto do Brasil em buscar os insumos.

Araújo teria feito o mesmo pedido por oxigêncio ao Chile e a Israel, que também não responderam.

Estes nove dias de pedidos enviado aos Estados Unidos incluem os últimos três do ex-presidente Donald Trump, considerado por Bolsonaro como seu maior aliado internacional há até poucos dias.

Apesar de ser pouco tempo, não significa que Trump não estava atuando, pois concedeu vários indultos durante esse período, inclusive ao empresário Steve Bannon, seu guru político e midiático. Mas não foi tão benevolente com o pedido do seu amigo Jair Bolsonaro, que também não foi respondido pelas novas autoridades da administração atual, de Joe Biden.

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Victor Farinelli

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).

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